25/10/2025
Notas sobre o luto do livro “Análise” da Vera Iaconelli.
“O luto não requer análise, ele só precisa acontecer. O que a análise pode ajudar é a entender, quando ele não acontece, no que ele emperrou.
O luto é um trabalho, como dizia Freud, e, se nada pode acelerá-lo, muitas coisas podem retardá-lo ou impedi-lo.” (pg. 149)
“O luto é o que nos permite continuar a ter uma vida (…). O luto, no entanto, não acontece sem restos, deixando um trabalho permanente de elaboração a ser feito.” (pg.150)
“Os lutos nunca se completam totalmente (…). A ausência, então, é a condição do desejo, que só será feito parcialmente, deixando espaço para outros desejos, que, por sua vez, sempre deixarão a desejar.” (pg. 150)
“Ganhamos, perdemos, fazemos o luto, seguimos desejando” (pg. 151)
“A relação que supomos ter com o outro primordial, e com todos aqueles que o substituem, vem carregada da aspiração de fusão e unidade: não perder o outro, não ter que se separar. Mas o outro se ausenta não só porque “vai ali e já volta”, mas também porque nunca está inteiramente aqui conosco. Assumir que para além das contingências da perda do outro ele sempre foi inalcançável é reconhecer que há um impossível nas relações.”(pg. 151)
“Sendo a ausência a base do luto, e o luto condição para o desejo, há no começo uma falta irreparável que nos funda como sujeitos. Passamos a vida em busca de algo que se existisse nos inviabilizaria - uma contradição em si mesma.” (pg. 151)
“O que resistimos a perder junto com o objeto perdido? Nossa própria imortalidade (…)” (pg. 151)
“Junto com a dor da perda, passível de ser elaborada no luto, precisamos elaborar o lugar onde a perda se enroscou na nossa fantasia a ponto de não ser superável.”(pg.152)
“Fazer o luto é seguir em frente, recuperando a vida depois da rasteira, mesmo que carregando uma pedra no bolso.” (pg. 152)