03/05/2026
Retornando de uma semana que foi de vários nadas.
Mas foi de água salgada, comida gostosa e muito ócio.
Também foi de tempo de corpo, de pausa, de presença.
De escutar o que, na rotina, eu acabo deixando de lado.
Volto sem estar preparada — com coisas em atraso, com o corpo dolorido, com aquela resistência silenciosa de recomeçar.
Mas volto também para algo que faz sentido pra mim.
Estar com os pacientes segue sendo um lugar de aposta:
de que é possível construir outras formas de existir.
Mais vivas, mais sustentáveis, mais possíveis.
E isso também me atravessa.
Porque até o cansaço tem contexto.
Porque o esgotamento não é só individual.
Porque a pressa não é só minha.
E talvez por isso cuidar de si também seja, de algum modo, um gesto político —
porque recusa a ideia de que a gente precisa dar conta de tudo o tempo todo.
Quero lembrar que meu corpo precisa de descanso,
assim como digo tantas vezes.
Que ele também tem limite.
Que ele está vivo.
E que o retorno não apague o que o descanso me ensinou.