08/03/2026
Hoje é o dia Internacional da Mulher.
Mas também é o dia de lembrar o que a história tenta esconder.
Durante séculos disseram às mulheres quem elas deveriam ser: Recatada, esposa, mãe, silenciosa, sutil, imperceptível.
Quando não obedeciam, eram chamadas de histéricas. Quando pensavam, de perigosas. Quando desejavam, escandalosas.
A tentativa foi e ainda parece ser reduzir a mulher a um lugar controlável. Porém, o feminino nunca coube nas molduras impostas.
Jacques Lacan formulou uma frase que segue provocando: “A mulher não existe”. À primeira vista pode parecer negação ou mais uma forma de reduzir a mulher. Mas ao nos aproximar de sua formulação, constatamos que não há uma definição capaz de capturar o que é uma mulher.
Cada uma inventa a própria maneira de existir. O que talvez, seja exatamente o que sempre inquietou certas estruturas de poder. Afinal, o que não pode ser definido, não pode ser totalmente dominado.
Por isso tentaram silenciar, controlar seus corpos, regular seus desejos e explicar o feminino como falta. E a mulher insiste. Ela pensa, cria, interpreta o mundo e transforma a história.
E cada vez que uma mulher fala em seu próprio nome, algo se desloca na ordem das coisas.
O feminino, não é objeto a ser controlado. É uma força que insiste em existir mesmo quando tentam apagá-la.
Hoje pode até ser dia de flores, mas também é dia de memória e de posição.
Que nenhuma mulher aceite novamente ocupar um lugar que não foi por ela mesma escrito.