09/01/2026
A IA vai substituir o radiologista?
Essa é uma reflexão para abrir nossos trabalhos deste ano. Muito se fala hoje sobre IA na radiologia e quase sempre a conversa começa com essa mesma pergunta, normalmente acompanhada de medo, receio e, em alguns casos, até paralisação. Mas talvez a pergunta esteja errada desde o início.
Antes mesmo de existir IA, a radiologia já era vista, por muitos, de forma distorcida. Desde os seus primeiros passos, foi tratada como a chamada “oitava maravilha do mundo”, uma suposta fábrica de dinheiro, como se bastasse ter equipamentos e apertar botões. Essa visão não é nova, não surgiu agora. A IA apenas tornou mais visível um problema antigo. Quem enxerga a radiologia dessa forma não conhece a sua essência.
Radiologia é estudo contínuo, responsabilidade diagnóstica, domínio de anatomia, biologia e fisiopatologia, correlação clínica. É compreender que cada palavra escrita em um laudo tem peso técnico, clínico e, muitas vezes, legal. A IA não muda isso. Ela não estuda por ninguém, não entende biologia, não faz correlação clínica e não assume responsabilidade diagnóstica. Pode ajudar muito, acelerar processos, organizar informações e destacar achados, mas não pensa, não decide e não responde pelo diagnóstico.
O medo que muita gente sente hoje não é exatamente da IA, mas o medo de perder relevância. E esse medo tem levado alguns ao pior caminho possível, a paralisação. Parar de estudar por causa da IA é repetir um erro antigo. É como, no início da tomografia, alguém decidir que não precisava mais aprender anatomia porque “a máquina agora vê tudo”. Nunca fez sentido. Quanto mais tecnologia, maior a exigência de conhecimento. Sem base científica sólida, nenhuma ferramenta sustenta diagnóstico. A IA não tira o espaço do radiologista que pensa, ela apenas expõe quem não pensa.
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