31/07/2026
Julho foi um mês em que usei as leituras para atravessar situações muito complexas. De formas muito diferentes, lembro que a maneira como enxergamos o mundo muda completamente a forma como vivemos nele. (Nessa parte, a psicóloga que habita em mim f**a orgulhosa dos aprendizados.)
"Mundos de Uma Noite Só": Em meio a perdas, violência, segredos e memória, nos lembra que carregamos histórias que começaram muito antes de nós. É um livro sobre ausências, mas, principalmente, sobre aquilo que permanece.
"Neca", escrito em pajubá, transforma a língua em resistência, identidade e afeto. Questiona a literatura, a sociedade e quem tem o direito de contar determinadas histórias. É incômodo e amplia o olhar.
"Mau Hábito" Sobre crescer tentando existir em um corpo que o mundo insiste em negar. Fala sobre pertencimento, exclusão, violência e sobre o desejo profundamente humano de ser visto e amado. É impossível terminar a leitura sem pensar em quantas pessoas ainda precisam lutar para viver algo que deveria ser um direito básico: existir em paz
"Comece a Se Amar" No momento que lucra com a nossa insatisfação, aprender a se tratar com gentileza é quase um ato de resistência. Em tempos de tantas "brigas" pelo corpo perfeito, olhar para tudo o que o corpo carrega é profundamente acolhedor.
"Coisa de Rico" é uma leitura breve, mas muito reflexiva. Me fez pensar em como estamos sempre olhando para o que falta e para o que os outros têm, esquecendo de reconhecer o que já conquistamos. Como o autor diz: "ricos são os outros".
No fim, percebi que todos esses livros, cada um à sua maneira, falam sobre pertencimento: à própria história, ao próprio corpo, à própria identidade e à própria vida.
Este mês, sentindo a ausência dos clubes de leitura (não consegui participar de nenhum), conversando sobre os livros e tentando explicar o que cada um despertou em mim, percebi que estive mergulhada em histórias e realidades diferentes das minhas. E reafirmo: ler amplia nossa capacidade de compreender o outro para, aos poucos, compreendermos melhor a nós mesmos.
Você já leu algum desses títulos? Me conta aqui nos comentários.
Talita Gomes
Psicóloga