29/07/2026
Vivemos tempos estranhos, em que estar sempre ocupado passou a ser confundido com sucesso e produtividade com valor pessoal.
A cultura da produtividade constante criou a ideia de que descansar é improdutivo, desacelerar é perder tempo e estar sempre disponível é uma demonstração de comprometimento.
Mas a exposição contínua à pressão, à comparação, ao excesso de informações e responsabilidades e à necessidade de “dar conta de tudo” aumenta a carga de estresse e pode manter o organismo em um estado persistente de alerta. Quando isso acontece por longos períodos, os sistemas responsáveis pela resposta ao estresse deixam de funcionar de forma adaptativa, favorecendo o aparecimento ou a intensif**ação de sintomas de ansiedade e contribuindo para o esgotamento emocional.
Isso pode se manifestar como preocupação excessiva, dificuldade para relaxar, irritabilidade, alterações no sono, dificuldade de concentração e uma sensação recorrente de nunca fazer o suficiente, mesmo quando se está constantemente produzindo.
O problema não está em buscar crescimento ou ter objetivos. A questão surge quando a produtividade deixa de ser uma escolha e passa a ser uma exigência que ultrapassa os limites humanos.
Cuidar da saúde mental também envolve reconhecer o que realmente tem valor para você. Quando nossas escolhas passam a ser guiadas apenas pela necessidade de produzir ou corresponder às expectativas, é comum nos afastarmos daquilo que dá sentido à vida.
Reconectar-se aos próprios valores ajuda a construir uma rotina mais sustentável e coerente com quem somos.
Nós somos muito mais do que aquilo que produzimos, entregamos ou conquistamos.
🌱 Uma rotina saudável não é aquela em que fazemos tudo. É aquela em que conseguimos sustentar o que realmente importa.
👩🏻⚕️ Dra. Natacha Capozzi
🧠 Psiquiatria | Medicina Integrativa
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