24/08/2026
Talvez você tenha passado a vida tentando entender por que se sente assim, por que reage dessa maneira, por que tem dificuldade de se posicionar ou de confiar ou de receber amor ou até de acreditar em si mesmo.
E a principal resposta está na relação que você viveu com a sua mãe.
Na visão sistêmica, a mãe ocupa um lugar muito importante na nossa história. É através dela que, simbolicamente, recebemos o primeiro contato com a vida. E a forma como essa relação foi vivida pode deixar marcas profundas na maneira como enxergamos a nós mesmos, os outros e a própria vida.
A criança que você foi não tinha recursos para compreender que a mãe também carregava suas próprias dores, limitações, histórias e padrões.
Ela apenas sentia.
Se não foi acolhida, pode ter aprendido que o mundo é um lugar onde não existe espaço para ela.
Se precisou agradar para receber amor, pode ter aprendido que precisa fazer algo importante para merecer o afeto.
Se foi muito cobrada, pode ter aprendido que nunca é boa o suficiente.
Se foi rejeitada, ignorada ou emocionalmente abandonada, pode ter aprendido que suas necessidades não importam.
E essas percepções não desaparecem simplesmente porque você cresceu.
Muitas vezes, a criança continua vivendo dentro do adulto: escolhendo relacionamentos, estabelecendo limites, reagindo às situações, buscando aprovação e até determinando o quanto acredita merecer da vida.
Por isso, olhar para a relação com a sua mãe não significa culpá-la.
Significa olhar para a sua própria história com mais consciência.
É reencontrar a criança que você foi, compreender o que ela sentiu, reconhecer o que faltou e começar a oferecer a si mesmo, hoje, aquilo que talvez ela tenha esperado por tanto tempo.
Porque curar o adulto que você é também passa por acolher a criança que precisou sobreviver ao que não conseguia compreender.
Você não pode mudar a mãe que teve.
Mas pode transformar a forma como essa história continua vivendo em você.
E, muitas vezes, é aí que começa uma nova relação: com você mesmo, com os outros e com a própria vida.