22/04/2026
A agilidade de mudanças no mundo atual gera uma grande instabilidade na vida das pessoas. Esta característica do mundo moderno aliada a outras como a escassez do tempo e a necessidade de acomodação e aprendizagem constante de novas interações tecnológicas leva a relações mais frias, um alto número de informações por minuto e a uma grande demanda de afazeres muitas vezes carentes de significado e de conexão com o mundo interior. Estas podem ser as causas coletivas de algo que nos atinge de uma maneira muito particular e individual: o burnout.
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Segundo Verena Kast, psicóloga junguiana, o ser humano muitas vezes carece da constância e de coisas que “perduram”. Tudo acontece de forma cada vez mais rápida, e isso nos faz sofrer e traz grandes queixas que escutamos em nossa clínica. Verena afirma que “essa aceleração exige também uma eficácia cada vez maior no mundo externo, mas também interno: devemos fazer mais no mesmo tempo, cumprir mais compromissos ou sentir-nos culpados se perdermos um prazo. E existe também uma pressão de resolvermos distúrbios psicológicos rapidamente. E a perda da tranquilidade e do aconchego leva também a uma marginalização da alma”.
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Já o filósofo Byung-Chul Han, em seu livro Sociedade do Cansaço, diz que somos hoje a sociedade do desempenho. Segundo ele, hoje o ser humano está voltado para a manutenção da casa, do espaço das coisas do “meu eu” e de sua identidade. Isto, segundo Han, gerou um excesso de positividade, na qual tudo é visto como uma oportunidade de autoafirmação da identidade e/ou de aprendizado. Por isso, tudo que interessa às pessoas é se autoafirmarem por meio de suas vidas, e com isso a produtividade não tem limite: o sujeito tem um desejo e precisa (ou sente-se capaz) de realizá-lo. Assim, ele não pode parar: deve atuar sempre para atingir novas metas e materializar seus objetivos. É este mesmo sujeito que sofre, afinal, o burnout pois, sem que seja necessária uma coação externa, ele, como empresário de si mesmo, empreende esta autoexploração que o leva a seu limite emocional e físico, causando uma pane no “sistema” – e invariavelmente trazendo de volta a percepção de que somos humanos, e não máquinas.