Natália Tamaio Desenvolvimento Humano

Natália Tamaio Desenvolvimento Humano Psicóloga de Abordagem Junguiana e Especialista de RH

A agilidade de mudanças no mundo atual gera uma grande instabilidade na vida das pessoas. Esta característica do mundo m...
22/04/2026

A agilidade de mudanças no mundo atual gera uma grande instabilidade na vida das pessoas. Esta característica do mundo moderno aliada a outras como a escassez do tempo e a necessidade de acomodação e aprendizagem constante de novas interações tecnológicas leva a relações mais frias, um alto número de informações por minuto e a uma grande demanda de afazeres muitas vezes carentes de significado e de conexão com o mundo interior. Estas podem ser as causas coletivas de algo que nos atinge de uma maneira muito particular e individual: o burnout.
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Segundo Verena Kast, psicóloga junguiana, o ser humano muitas vezes carece da constância e de coisas que “perduram”. Tudo acontece de forma cada vez mais rápida, e isso nos faz sofrer e traz grandes queixas que escutamos em nossa clínica. Verena afirma que “essa aceleração exige também uma eficácia cada vez maior no mundo externo, mas também interno: devemos fazer mais no mesmo tempo, cumprir mais compromissos ou sentir-nos culpados se perdermos um prazo. E existe também uma pressão de resolvermos distúrbios psicológicos rapidamente. E a perda da tranquilidade e do aconchego leva também a uma marginalização da alma”.
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Já o filósofo Byung-Chul Han, em seu livro Sociedade do Cansaço, diz que somos hoje a sociedade do desempenho. Segundo ele, hoje o ser humano está voltado para a manutenção da casa, do espaço das coisas do “meu eu” e de sua identidade. Isto, segundo Han, gerou um excesso de positividade, na qual tudo é visto como uma oportunidade de autoafirmação da identidade e/ou de aprendizado. Por isso, tudo que interessa às pessoas é se autoafirmarem por meio de suas vidas, e com isso a produtividade não tem limite: o sujeito tem um desejo e precisa (ou sente-se capaz) de realizá-lo. Assim, ele não pode parar: deve atuar sempre para atingir novas metas e materializar seus objetivos. É este mesmo sujeito que sofre, afinal, o burnout pois, sem que seja necessária uma coação externa, ele, como empresário de si mesmo, empreende esta autoexploração que o leva a seu limite emocional e físico, causando uma pane no “sistema” – e invariavelmente trazendo de volta a percepção de que somos humanos, e não máquinas.

Ficou tão fofa a caricatura que eu trouxe pro feed 💜Um grande amor em ser Psicóloga Junguiana 💭💬
10/02/2026

Ficou tão fofa a caricatura que eu trouxe pro feed 💜

Um grande amor em ser Psicóloga Junguiana 💭💬

Meu último post já falava de um conto de Clarice Lispector, O Ovo e a Galinha, e trazia uma análise bem simbólica – e Ju...
02/02/2026

Meu último post já falava de um conto de Clarice Lispector, O Ovo e a Galinha, e trazia uma análise bem simbólica – e Junguiana – do texto. Porém, tenho acreditado cada vez mais que Clarice era uma pessoa totalmente em contato com seu inconsciente, o que faz que todos os leitores de Clarice passem a quem começa a lê-la a velha e já famosa orientação: “Clarice não é pra se entender, é pra se sentir”. Ora se não é exatamente o que falamos, nós psicólogos, aos nossos pacientes, em tudo que eles vivem e enfrentam?
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Tenho lido agora a edição Todos os Contos, de Clarice, e um deles me trouxe ainda mais essa impressão de que Clarice era conectada com as coisas que sentia antes mesmo de entendê-las, e que as trazia sem nem saber que estava ali usando uma linguagem simbólica e bastante junguiana. No conto “Perdoando Deus”, que também pode ser encontrado no livro “Felicidade Clandestina”, ela traz uma personagem que andava pelo mundo feliz da vida, em um dia que vinha se sentindo completa e a “mãe do mundo e de Deus” (no sentido de amar completamente o Universo), e de repente ela t**a com um rato ruivo, um animal que considera, como a maioria das mulheres, asqueroso. Então há uma passagem que ela diz:
“...mas quem sabe, foi porque o mundo também é rato, e eu tinha pensado que já estava pronta para o rato também.”
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Se analisarmos este trecho, mais uma vez Clarice traz um importante conceito junguiano: o conceito da totalidade. Jung sempre disse que nosso movimento ao nos conhecermos – o que chamamos de individuação – não é sobre buscar a perfeição, e sim nossa totalidade, nos aceitarmos por inteiro, em nossa luz e nossa sombra. A personagem do conto Perdoando Deus estava aceitando o mundo, na sua visão em sua totalidade, mas não estava aceitando a sombra, o rato, o lado asqueroso que existe neste mesmo mundo. Isso também se confirma quando a personagem diz “Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho da minha natureza?”. Aqui é como se a personagem dissesse que ela não se ama por inteiro, não aceita sua sombra, então como pôde, no início da história, achar que seria capaz de amar o mundo e ser a mãe dele? Sem dúvida Clarice era Junguiana.

Recentemente, tive meu primeiro contato com o famoso conto de Clarice Lispector, O Ovo e a Galinha. Ela mesma, em uma en...
22/01/2026

Recentemente, tive meu primeiro contato com o famoso conto de Clarice Lispector, O Ovo e a Galinha. Ela mesma, em uma entrevista, afirmou que não entende este conto por inteiro. Ler Clarice é de fato uma experiência porque não se lê para entender: se lê para estranhar. Isso por si só já é um movimento similar ao que fazemos na psicoterapia: questionamos, estranhamos, e tentamos ver as coisas por outro ângulo, ainda que de primeira a nova visão pareça incompreensível.
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Não vou fingir ter entendido este conto de primeira – tampouco ter entendido-o por inteiro depois de algumas leituras. Porém, se trazemos uma análise Junguiana, ou seja, simbólica para este texto de Clarice, é possível empreender algumas possibilidades de interpretação.
O conto inicia com uma mulher que vê um ovo na cozinha, e então ela divaga. Há uma parte em que a autora afirma: “Ovo é a alma da galinha”. Se olharmos por esse ponto de vista, o ovo seria o que a Psicologia Junguiana chama de Self: algo interno, que não vemos, nossa alma e nossa essência que nos guia e integra nosso consciente e inconsciente. A galinha seria nosso ego: nosso lado mais concreto, mais consciente, que se expõe perante o mundo.
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Há um trecho que traz: “Ver o ovo é impossível: o ovo é super visível como há sons supersônicos”. Isso justifica a interpretação do Self, porque ele vai além do visível: quando começamos o processo de individuação, onde nos conhecemos como somos, o Self vai se mostrando, porém não a olho nu, e permeia tudo – por isso supervisível. Em outro pedaço, ela diz “Será que sei do ovo? É quase certo que sei. Assim: existo, logo sei”. Aqui podemos interpretar que no fundo nos perguntamos se sabemos da nossa essência, se sabemos de fato quem somos e o que nos move... e na verdade sim, sabemos. Ao existir, o Self está sempre nos conduzindo para que realizemos aquilo que está alinhado com nossa essência mais profunda.
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Há também a frase paradoxal “Ter uma casca é dar-se”. Do ponto de vista lógico, parece que a casca é o que nos protege e nos “divide” do mundo, mas é justamente o oposto: quando tenho um corpo para além do meu Self, este se torna o instrumento que faz minha alma dar-se ao mundo.

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