11/05/2026
LECANEMAB: esperança, ciência… e também cautela.
Nas últimas semanas, muita gente me perguntou sobre a chegada do lecanemab ao Brasil. E eu acho importante conversar sobre isso com responsabilidade — principalmente quando falamos de pessoas idosas, frágeis e famílias emocionalmente vulneráveis.
O lecanemab é uma medicação da classe dos anticorpos monoclonais anti-beta amiloide.
Seu objetivo é reduzir placas amiloides no cérebro, relacionadas à doença de Alzheimer.
Os estudos mostram um possível benefício:
➡️ discreta desaceleração da progressão da doença em pacientes muito específicos e em fases iniciais.
Mas existe um ponto fundamental que precisa ser dito:
Reduzir placas NÃO significa recuperar função cerebral.
E essas medicações também levantam preocupações importantes de segurança, incluindo:
• edema cerebral (ARIA)
• microhemorragias
• maior risco em pacientes mais vulneráveis neurologicamente
Na prática geriátrica, isso importa MUITO.
Porque Medicina não é apenas biomarcador.
É risco-benefício real.
É funcionalidade.
É qualidade de vida.
É fragilidade.
É individualidade.
Por isso, na minha prática clínica, hoje eu ainda adoto bastante cautela com esse tipo de tratamento — especialmente em idosos frágeis, pacientes com múltiplas comorbidades ou maior vulnerabilidade cerebral.
Isso não significa ser contra a ciência.
Muito pelo contrário.
A ciência precisa avançar.
Mas o entusiasmo nunca pode vir antes da segurança do paciente.
Enquanto buscamos novas terapias, ainda seguimos cuidando do que mais impacta a vida das famílias no dia a dia:
sono, agitação, comportamento, conforto, dignidade e qualidade de vida.
E talvez essa continue sendo uma das partes mais importantes do cuidado.