Instituto Círculo Psicanalítico de Brasília

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"Ele (o sonho) é incapaz de fazer qualquer coisa que não se

O fascínio pelo impossívelO fascínio pelo impossível ocupa um lugar profundo na experiência humana. Muitas vezes, aquilo...
10/07/2026

O fascínio pelo impossível

O fascínio pelo impossível ocupa um lugar profundo na experiência humana. Muitas vezes, aquilo que não pode ser alcançado desperta mais desejo do que aquilo que está disponível. Pessoas emocionalmente indisponíveis, sonhos inalcançáveis, relações instáveis ou ideais perfeitos demais parecem exercer um magnetismo particular. Para a psicanálise, esse movimento não é acidental: o desejo humano se estrutura justamente em torno da falta.

No olhar psicanalítico de Freud, desejar não signif**a apenas querer possuir algo, mas sustentar uma busca contínua por aquilo que parece capaz de preencher um vazio interno. No entanto, esse vazio nunca é completamente preenchido. É por isso que, muitas vezes, quando algo finalmente se torna possível e acessível, parte do encanto desaparece. O impossível preserva o desejo porque permanece distante, idealizado e protegido da realidade.

Leia mais em: https://icpb.com.br/publicacoes/206/O-fascinio-pelo-impossivel





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O desejo de desaparecer O desejo de desaparecer nem sempre está relacionado ao desejo de morrer. Muitas vezes, trata-se ...
09/07/2026

O desejo de desaparecer

O desejo de desaparecer nem sempre está relacionado ao desejo de morrer. Muitas vezes, trata-se de um anseio silencioso de interromper o excesso: excesso de cobranças, de presença, de expectativas, de dor psíquica. Na visão Freudiana e de outros Psicanalistas, desaparecer pode signif**ar uma tentativa inconsciente de suspender a angústia de existir sob o olhar do outro.

Desde cedo, o sujeito é constituído pelas relações que estabelece com aqueles que o cercam. O olhar, a linguagem e o desejo do outro participam diretamente da formação da identidade. Quando essas relações são atravessadas por rejeição, abandono, críticas excessivas ou falta de reconhecimento emocional, pode surgir uma sensação persistente de inadequação. Nesse contexto, desaparecer aparece como fantasia de alívio: não precisar corresponder, explicar, sustentar uma imagem ou carregar um sofrimento que parece impossível de nomear.

Leia mais em: https://icpb.com.br/publicacoes/205/O-desejo-de-desaparecer





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O desejo possível e a ilusão da liberdadeescrito por Ronaldo de Mattos - Psicanalista “A felicidade não é fazer o que se...
15/04/2026

O desejo possível e a ilusão da liberdade

escrito por Ronaldo de Mattos - Psicanalista

“A felicidade não é fazer o que se quer, mas querer o que se faz.” Jean-Paul Sartre

Há uma fantasia muito contemporânea que nos atravessa silenciosamente: a ideia de que ser livre é poder fazer tudo aquilo que se deseja.

Mas a psicanálise nos ensina algo mais incômodo e, ao mesmo tempo, mais verdadeiro… o desejo não é tão livre quanto imaginamos.

Aquilo que “queremos” muitas vezes não nasce em nós de forma pura. É atravessado por histórias, faltas, traumas, identif**ações e expectativas que nem sempre nos pertencem.

O sujeito acredita que escolhe, mas frequentemente apenas repete. E nessa repetição, algo insiste… um resto que não se satisfaz.

Por isso, a felicidade não está em uma liberdade absoluta, quase infantil, de fazer tudo o que se quer. Isso, no fundo, nos aprisiona ainda mais ao capricho e à frustração.

A maturidade psíquica começa quando o sujeito pode sustentar o que faz, implicar-se nas suas escolhas e, sobretudo, desejar aquilo que constrói com a própria vida.

Querer o que se faz não é resignação. É elaboração. É transformar o fazer em desejo, é sair da posição de vítima do próprio querer e assumir autoria sobre a própria existência.

Talvez a felicidade não seja um lugar onde tudo coincide… mas um ponto onde o sujeito deixa de fugir de si mesmo.

E você… está vivendo o que deseja ou apenas desejando o que nunca vive?

A confusão entre cuidado e submissãoRonaldo de Mattos – PsicanalistaHá relações em que o cuidado deixa de ser gestoe se ...
25/03/2026

A confusão entre cuidado e submissão

Ronaldo de Mattos – Psicanalista

Há relações em que o cuidado deixa de ser gesto
e se torna posição.

O sujeito cuida, sustenta, cede, se adapta…
mas já não sabe mais se está amando
ou apenas evitando perder.

Na psicanálise, essa confusão nasce quando o amor foi aprendido como algo que precisa ser garantido.

O sujeito acredita, ainda que inconscientemente,
que se não cuidar o suficiente,
se não antecipar o outro,
se não se ajustar,
será abandonado.

Então ele se oferece por inteiro,
mas não como escolha,
como defesa.

Cuidar, nesse lugar, não é liberdade.
É estratégia.
Não é expressão de afeto,
é tentativa de manter o vínculo a qualquer custo.

E o preço, quase sempre,
é o próprio desaparecimento.

Freud nos ajuda a compreender
que o sujeito pode se colocar em posição de objeto
para não perder o amor do outro.

Ele se molda, se reduz, se silencia.
E, aos poucos, já não sabe onde termina o cuidado
e começa a submissão.

Porque ambos, por fora, parecem iguais:
atenção, presença, entrega.

Mas por dentro, são opostos.
O cuidado nasce da escolha.
A submissão nasce do medo.

Em Kierkegaard, o desespero é não ser si mesmo.

E não há forma mais silenciosa de desespero
do que viver para sustentar o outro
enquanto se abandona por dentro.

Nietzsche diria que, quando o sujeito não afirma a si,
ele se curva, e chama isso de virtude.
O paradoxo é duro de encarar.

Quem mais cuida, muitas vezes,
é quem menos é cuidado.

Porque o outro se acostuma com a entrega
e deixa de perceber que ali há alguém
que também precisa ser visto.

A travessia começa quando o sujeito se pergunta:
“Se eu parar de sustentar tudo,
o que sobra de mim aqui?”

E, mais difícil ainda:
“Esse vínculo suporta quem eu sou
ou apenas quem eu sustento ser?”

Cuidar não deveria exigir silêncio,
nem ausência de si.

O amor que pede submissão
já não é abrigo, é dependência disfarçada de afeto.

“Quando cuidar exige que você desapareça, não é amor, é medo de ser deixado.”

Vínculos Autoabandono SaúdeEmocional

O Luto do que Não Vivemosescrito por Ronaldo de Mattos - Psicanalista Existe uma dor que quase ninguém nomeia. Não é a d...
04/03/2026

O Luto do que Não Vivemos

escrito por Ronaldo de Mattos - Psicanalista

Existe uma dor que quase ninguém nomeia. Não é a dor do que acabou. É a dor do que nunca começou.
Chega um momento da vida em que o sujeito percebe que não poderá viver todas as versões de si mesmo.

A profissão que não escolheu. O amor que não teve coragem de assumir. O filho que não veio. A cidade onde não morou.

As palavras que engoliu. Esse é o luto mais silencioso: o luto das possibilidades.

Na psicanálise, sabemos que escolher é perder. Cada decisão implica abrir mão de outras rotas. Mas nem sempre elaboramos essas perdas. Vamos seguindo, ocupados, produtivos, responsáveis. Até que, em alguma idade simbólica, o passado começa a sussurrar: “e se…?”

Em Filosofia encontramos o paradoxo e essa é a vertigem da liberdade. Não podemos ser tudo. A finitude não está apenas na morte, mas na impossibilidade de experimentar todos os caminhos. Crescer é aceitar limites sem se transformar em ressentimento.

Na teologia existe um aprendizado profundo aqui. Nem toda renúncia é fracasso. Algumas são direção. Outras são imaturidade. Discernir isso exige silêncio interior. Deus não nos chama para viver todas as vidas possíveis, mas para habitar com verdade a que é nossa.

A poesia apresenta uma outra dimensão, é como olhar para um jardim onde nem todas as sementes brotaram. Ainda assim, há flores. Ainda assim, há beleza.

O luto do que não vivemos não precisa virar amargura. Pode se tornar maturidade. Pode nos ensinar a viver com mais presença o que ainda é possível.

Porque talvez a vida não nos peça que sejamos tudo. Apenas que sejamos inteiros no que escolhemos ser.

Não é tarde para viver com verdade, mesmo que já não seja possível viver tudo.

Aos 50: o homem diante do próprio espelhoescrito por Ronaldo de MattosChegar aos 50 não é apenas atravessar uma década. ...
04/03/2026

Aos 50: o homem diante do próprio espelho

escrito por Ronaldo de Mattos

Chegar aos 50 não é apenas atravessar uma década. É atravessar a si mesmo.
O homem que completa meio século carrega conquistas, culpas, histórias mal resolvidas, silêncios acumulados.

Ele já provou algo ao mundo. A pergunta agora é outra: o que ele provou para si?
Na juventude, o tempo parecia elástico. Aos 50, ele ganha contorno.

O corpo fala com mais clareza. O cansaço já não é apenas físico. É existencial. E essa percepção pode assustar. Porque, pela primeira vez, a finitude deixa de ser conceito filosófico e passa a ser sensação concreta.

Do ponto de vista psicanalítico, essa fase é um reencontro com o desejo. Muitos homens viveram décadas sustentando funções: provedor, profissional, pai, marido.

Papéis necessários. Mas, no meio deles, o sujeito pode ter f**ado soterrado. Aos 50, a pergunta retorna como algo que não aceita mais adiamento: o que eu quis e não vivi?

Alguns sentem irritação. Outros tristeza silenciosa. Outros ainda uma urgência quase juvenil de recomeçar. Não é imaturidade. É o inconsciente cobrando espaço. O que foi recalcado durante anos começa a pedir palavra.

Filosof**amente, é o tempo da revisão. Não no sentido de arrependimento paralisante, mas de lucidez. Há sonhos que já não cabem. Há ilusões que caem. E isso pode ser libertador. A maturidade tem a vantagem de não precisar mais impressionar tanto.

Os 50 podem ser um despojamento. A força física diminui um pouco, mas a possibilidade de sabedoria aumenta. É quando o homem pode compreender que não é onipotente, que não controla tudo, que a vida não se resume ao desempenho. A queda das máscaras pode ser um ato de graça.

Essa idade é como o entardecer. Não é o fim do dia. É a hora em que a luz f**a mais bonita, mais quente, mais verdadeira. Mas só percebe essa beleza quem aceita que o sol não está mais no meio do céu.

Aos 50, o homem pode se tornar mais duro ou mais humano. Pode se fechar no ressentimento do que passou ou abrir-se para uma versão mais honesta de si.

Talvez a grande tarefa dessa fase seja simples e profunda: deixar de ser apenas função e voltar a ser sujeito. E isso exige coragem.

A Travessia dos 32: entre o espelho, o silêncio e o desejoescrito por Ronaldo de Mattos - Psicanalista Há uma idade em q...
03/03/2026

A Travessia dos 32: entre o espelho, o silêncio e o desejo

escrito por Ronaldo de Mattos - Psicanalista

Há uma idade em que a mulher começa a se ouvir com mais nitidez.
Os 32 anos não são apenas um número. São uma fronteira invisível.

Já não é a jovem que acredita que o tempo é infinito, nem a mulher que estabilizou todas as escolhas. É um intervalo. E intervalos fazem eco.

A solidão que pode surgir nessa fase não é, necessariamente, ausência de pessoas. É, muitas vezes, ausência de si.

Durante anos, ela pode ter sido filha exemplar, profissional competente, parceira disponível, forte demais. E de tanto sustentar papéis, corre o risco de ter deixado o próprio desejo em segundo plano.

Na psicanálise, sabemos que o sujeito se constitui na falta. Não há completude possível. A mulher de 32 começa a perceber que nenhum amor preencherá aquilo que é estruturalmente vazio. Isso não é fracasso. É amadurecimento. A dor aqui não denuncia insuficiência, denuncia verdade.

O corpo fala. A sociedade também. Perguntas surgem, comparações se insinuam. Uma inquietação aparece como se dissesse: estou onde queria estar? E talvez a questão mais honesta seja outra: estou vivendo o que realmente desejo ou apenas cumprindo expectativas?

Filosof**amente, essa fase carrega a vertigem da liberdade. Ainda há escolhas possíveis. Mas escolher implica perder. Cada decisão fecha portas invisíveis. E essa consciência pesa.

Teologicamente, há algo do deserto nessa travessia. O deserto não é abandono. É silêncio necessário. Quando as vozes externas diminuem, a alma começa a revelar sua fome mais profunda. Nem toda solidão é castigo. Algumas são convites.

Poeticamente, os 32 são como um outono interior. Algo cai para que algo novo possa nascer. Mas quem está dentro da estação sente primeiro o frio, depois entende o ciclo.

Não há erro em sentir-se só nessa idade. Pode ser a primeira vez que ela não quer apenas ser amada. Quer ser inteira.

E tornar-se inteira quase sempre começa no silêncio.






Travessia
Autoconhecimento

O corpo fala quando a palavra falhaPara a psicanálise, o corpo nunca é apenas biológico — ele é também um texto. Quando ...
11/12/2025

O corpo fala quando a palavra falha

Para a psicanálise, o corpo nunca é apenas biológico — ele é também um texto. Quando algo não pode ser dito, pensado ou simbolizado, o corpo escreve. Sintomas, dores difusas, tensões, insônias, palpitações: nada disso é mero acaso. São mensagens que o sujeito envia a si mesmo quando a linguagem não dá conta de nomear o que o atravessa.

Freud já observava que aquilo que é recalcado retorna. Se não retorna em palavras, retorna no corpo. A angústia que não encontra nome se converte em aperto no peito; a raiva que não se autoriza surge como dor de cabeça; a tristeza não dita aparece como cansaço sem causa. O corpo se torna porta-voz daquilo que não pôde ser ouvido na vida psíquica.

Leia mais em: https://icpb.com.br/publicacoes/179/O-corpo-fala-quando-a-palavra-falha





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O homem entre tradição e vulnerabilidadeA subjetividade masculina vive hoje um ponto de tensão. De um lado, carrega sécu...
03/12/2025

O homem entre tradição e vulnerabilidade

A subjetividade masculina vive hoje um ponto de tensão. De um lado, carrega séculos de tradição que moldaram a figura do homem como aquele que não vacila, não demonstra fraqueza, não sente medo. De outro, enfrenta um mundo que convoca justamente aquilo que essa tradição tentou silenciar: a vulnerabilidade. Entre esses dois polos, o sujeito contemporâneo tenta existir.

Freud já mostrava que o ideal do eu — essa instância que regula nossos padrões internos — é formado a partir das expectativas culturais. No caso dos homens, esse ideal sempre foi rigidamente estabelecido: força, controle, autossuficiência. O homem deveria ser invencível, impenetrável, quase impermeável ao sofrimento. Essa imagem heroica funciona como defesa, mas cobra seu preço: o recalque da fragilidade, o silenciamento das emoções, a solidão afetiva.

Leia mais em: https://icpb.com.br/publicacoes/178/O-homem-entre-tradicao-e-vulnerabilidade





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O homem e o medo de não ser suficienteescrito por Ronaldo de Mattos  - Psicanalista Há um medo que moradebaixo da pele m...
17/11/2025

O homem e o medo de não ser suficiente

escrito por Ronaldo de Mattos - Psicanalista

Há um medo que mora
debaixo da pele masculina,
um medo que ele esconde atrás do riso fácil
e das palavras fortes:

o medo de não ser suficiente para ela.
O medo de não ser escolhido.
O medo de atravessar a vida
sem que um olhar o reconheça como destino.

Ele teme ser pouco,
teme ser falho,
teme ser revelado e, ainda assim,
não ser querido.
Treme ao imaginar
que ao abrir o peito
só encontre eco.

Há um menino dentro dele
que aprendeu cedo demais
que homem não chora
e que sentir é fraqueza.
Mas, quando a noite cai,
esse menino pergunta baixinho:

“Será que eu basto?”

E nenhum músculo responde.

Ele carrega fantasmas:
o ideal do pai,
o peso da sociedade,
a armadura que vestiu
para esconder a própria fragilidade.

Quer ser porto,
ser chão,
ser herói —
mas teme sempre f**ar aquém.
Teme não ser necessário,
teme ser substituível,
teme ser apenas mais um corpo sem impacto na alma de ninguém.

A filosofia o atravessa como vento:
existir é risco,
amar é salto,
e ninguém é inteiro o bastante
para prometer eternidade ao outro.

Mas ele tenta,
porque o silêncio existencial o assusta.
E, entre ser o que é
e ser o que acha que deveria ser,
ele se perde no meio do caminho.

A teologia o chama pelo nome:
“Filho…”
Mas ele aprendeu a amar por desempenho,
a viver como quem precisa provar valor,
a merecer até o ar que respira.

Esquece que o sagrado
não exige que ele seja gigante,
exige apenas que seja verdadeiro.
Que a graça não se compra,
se recebe.

Então vem a poesia,
como quem segura o rosto dele entre as mãos:

Homem…
o medo que escondes é o que te humaniza.

Tu não nasceste para ser perfeito.
Nasceste para ser encontro.

O amor que é teu
não exige espetáculo.
Exige presença.
Exige coragem para ser visto
sem armaduras,
sem títulos,
sem prova de valor.

A poesia lhe diz:

Não temes não encontrar alguém.
Temes que ninguém te descubra inteiro.

Mas o amor verdadeiro vem sem ruído,
vem sem pressa,
vem como quem já sabe teu nome
antes que tu o pronuncies.

E, quando ele enfim descansar
de provar o que nunca precisou provar,
uma voz doce — quase divina —
lhe dirá:

“Você é suficiente.”

Endereço

EStrada Eptg
Taguatinga, DF
72010-070

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