28/06/2026
Na última quinta, tive a satisfação de participar da Copa do Mundo do Ceratocone, promovida pela Sociedade Brasileira de Córnea, em um debate científico muito rico ao lado do Dr. Francisco Bandeira sobre a avaliação da progressão do ceratocone.
Foi uma disputa amigável e necessária: Scheimpflug × Biomecânica.
No placar da votação, a tomografia por Scheimpflug venceu com ampla vantagem — e isso confirma o quanto ela é consolidada, difundida e indispensável para documentar a progressão morfológica do ceratocone.
O excelente trabalho apresentado pelo Dr. Francisco reforçou muito bem esse papel, especialmente com o ABCD do Belin, uma evolução fundamental no estadiamento e acompanhamento da doença:
A — curvatura anterior
B — curvatura posterior
C — espessura mínima
D — acuidade visual corrigida
Esse modelo ajudou a superar a visão limitada ao Kmax isolado, incorporando dimensões estruturais e funcionais da ectasia.
Minha contribuição foi destacar que a biomecânica não substitui a tomografia. Ela complementa.
A tomografia ajuda a documentar o que já aconteceu.
A biomecânica ajuda a estimar quem tem maior risco de progredir.
E aqui entra uma evolução importante: no Homburg Display, com o Corvis ST, temos o E de elastografia/biomecânica — uma dimensão que avalia a resposta mecânica do tecido corneano. Assim, avançamos do ABCD para uma visão mais integrada: ABCDE.
Essa diferença entre documentar e prever é essencial para a medicina moderna do ceratocone. Não basta diagnosticar se existe ou não doença. Precisamos avaliar susceptibilidade, risco, prognóstico e individualizar a conduta — especialmente em crianças, adolescentes, pacientes alérgicos, pacientes que coçam os olhos e candidatos à cirurgia refrativa.
No Junho Violeta, essa mensagem ganha ainda mais força: diagnóstico precoce, acompanhamento adequado e prevenção podem mudar a história visual dos pacientes.
Parabéns ao Dr. Francisco Bandeira pela excelente apresentação e à SBC pela iniciativa.
Seguimos juntos: do ABCD ao ABCDE.
Além da forma, sem descartar a forma.
Beyond, but not over.