26/02/2026
Isso não é apologia ao carnaval.
É apologia à autenticidade.
Essa foto é um marco silencioso da minha história.
Ela representa a minha expressão mais genuína de alegria vibrante misturada com simplicidade.
Durante muitos anos eu carreguei uma vergonha existencial profunda.
Vergonha de ser vista.
Vergonha de ocupar espaço.
Vergonha de não corresponder às expectativas.
Uma vergonha construída em meio a críticas constantes, violência psicológica e à sensação persistente de que eu precisava ser melhor, perfeita, impecável… para merecer amor.
Eu vivia pisando em ovos.
Com medo de parecer má, ingrata, preguiçosa ou alienada.
Sempre tentando provar produtividade, bondade, beleza, desempenho e dedicação.
Sempre tentando mostrar que eu era “boa o suficiente”.
Nada disso se resolve de um dia para o outro.
Não houve milagre.
Houve consciência.
Houve terapia.
Houve apoio.
Houve enfrentamento.
Houve fé.
Hoje eu não me sinto superior a ninguém.
Não me sinto pronta.
Não me sinto “curada”.
Eu me sinto humana.
Em processo.
Em maturidade contínua.
Sou psicóloga, mãe, esposa, mulher, dona de casa, profissional — e também sou alguém que ainda aprende, ainda erra, ainda sente medo às vezes.
A diferença é que hoje eu não deixo mais a vergonha decidir quem eu posso ser.
E é justamente por ter atravessado isso que eu consigo olhar nos olhos de quem chega até mim carregando a mesma dor.
Eu reconheço essa vergonha.
Eu conheço essa sensação de inadequação.
Eu sei o quanto ela pode silenciar uma vida inteira.
E ninguém merece viver escondido dentro de si.
Autenticidade não é sobre fantasia.
É sobre integração. É sobre amor próprio.
É sobre poder existir sem depender de desempenho, beleza, status ou aprovação dos outros.
É um caminho.
Um caminho espiritual, emocional e humano.
Um caminho de reconciliação consigo mesma.
Se tu também carrega vergonha…
eu quero que tu saiba: isso não é quem tu é.
É algo que tu aprendeu a sentir.
E é possível desaprender.
Com amor.
Com consciência.
Com técnica.
Com coragem.
E com muita, muita humanidade.
(E sim, meu filho está a coisa mais linda do mundo nessa foto 🤍 Está aprendendo, desde pequeno, a nutrir a própria espontaneidade 🥹🌱)