Instituto Márcia Gonçalves

Instituto Márcia Gonçalves CONSULTAS , CURSOS DE EXTENSÃO , PALESTRAS E PERÍCIAS EM PSIQUIATRIA CRM 69672

O Instituto Márcia Gonçalves, antigo ISAM (Instituto de Saúde Mental) e agora com nova identidade, é uma empresa com mais de 10 anos e leciona cursos de Extensão Universitária, presenciais, voltados para o aperfeiçoamento e atualização de profissionais que atuam ou pretendem atuar na área de Psiquiatria e Saúde Mental ou em seus diversos setores componentes. Oferece ao aluno conhecimentos técnicos

relacionados aos princípios e diretrizes do Sistema de Saúde Brasileiro, respeitando os princípios éticos e os limites legais de atuação profissional, a fim de promover qualidade na prestação dos serviços de saúde.

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》Aos 74 anos, a comediante mais querida dos Estados Unidos vestiu trapos e dormiu sobre grades de aquecimento. Acabou hospitalizada. A crítica não gostou. Ela fez mesmo assim… porque alguém precisava fazer.

5 de novembro de 1985. Milhões de americanos ligaram a CBS esperando ver Lucille Ball fazer o que sabia fazer melhor: fazê-los rir. Em vez disso, viram Lucy — a sua Lucy — irreconhecível.

Sem o cabelo ruivo. Sem glamour. Sem a comédia física milimetricamente calculada. Apenas uma mulher de 74 anos, com roupas sujas, empurrando um carrinho de compras com tudo o que possuía, dormindo nas ruas de Manhattan, invisível para o mundo que passava ao seu lado.

Lucy interpretava Florabelle, uma mulher idosa em situação de rua, no filme feito para a televisão Stone Pillow. E deu esse nome à personagem em homenagem à sua avó — Flora Belle Hunt — uma mulher pioneira que sobreviveu a dificuldades impossíveis.

Os Estados Unidos não souberam como reagir a isso.

Durante meio século, Lucille Ball foi o rosto da comédia americana. Construiu um império. Foi uma das primeiras mulheres a comandar um grande estúdio de televisão. Fez gerações rirem até as lágrimas.

Aos 74 anos, era imensamente rica. Poderia ter passado seus últimos anos colecionando prêmios, dando entrevistas e vivendo confortavelmente do próprio legado.

Em vez disso, escolheu o papel mais duro de sua vida.

O roteiro de Stone Pillow chegou às suas mãos em 1985. Contava a história de mulheres idosas em situação de rua — aquelas que a sociedade se recusava a enxergar.

Mulheres invisíveis que dormiam sobre grades de aquecimento, empurravam carrinhos e eram descartadas como “moradoras de rua”.

Nos Estados Unidos dos anos 1980, a falta de moradia estava crescendo. Mas a televisão fingia que isso não existia. E quase ninguém falava sobre mulheres idosas vivendo nas ruas: abandonadas pelas famílias, esquecidas pelos sistemas, apagadas pela sociedade.

Lucy viu ali uma chance de usar sua fama para algo que realmente importava.

Ela conhecia os riscos. Sabia que o público não queria ver sua Lucy suja, sem brilho, dolorosamente real. Sabia que a crítica poderia destruí-la. Sabia que isso poderia manchar a imagem que havia construído ao longo de décadas.

Mesmo assim, disse sim.

As filmagens foram brutais. Gravaram em locações externas, na cidade de Nova York, e o calor tornou tudo ainda mais difícil. Lucy, com 74 anos e problemas de saúde, usava várias camadas de roupas pesadas — roupas de inverno — porque a história se passava nessa estação.

Caminhou por horas pela cidade. Deitou-se sobre grades de aquecimento. Empurrou um carrinho por Manhattan. Parecia uma pessoa em situação de rua porque estava interpretando alguém em situação de rua.

As exigências físicas a levaram a ser hospitalizada por desidratação e exaustão. E, segundo relatos da época, foi ali que ela descobriu que era alérgica à fumaça de cigarro… depois de décadas fumando.

Mas Lucille Ball — a mesma mulher que continuou trabalhando mesmo com uma perna machucada — seguiu em frente.

Ela estava determinada a honrar as mulheres que aquela história representava.

Quando Stone Pillow foi ao ar, os números foram fortes: entrou no top 10 da semana e foi um sucesso de audiência. Mas a crítica se dividiu.

Alguns elogiaram sua coragem. Outros foram duros: “Não queremos ver a Lucy assim”. “É deprimente demais”. “Desconfortável”.

Muitos espectadores sentiram o mesmo.

Eles queriam Lucy Ricardo fazendo-os rir, não Florabelle obrigando-os a encarar de frente uma verdade incômoda sobre mulheres idosas em situação de rua.

Lucy esperava por isso. Esse era exatamente o ponto.

Em entrevistas, foi clara: não fez Stone Pillow para receber aplausos unânimes.

Fez para iniciar uma conversa.

Para que as pessoas vissem a mulher idosa em situação de rua como alguém real, com dignidade, com uma história, merecedora de compaixão.

Em 26 de abril de 1989, Lucille Ball morreu aos 77 anos, vítima da ruptura de um aneurisma da aorta.

Ela havia passado seis décadas entretendo os Estados Unidos: do vaudeville à era de ouro da televisão, tornando-se uma das executivas mais influentes de Hollywood.

Mas, em seu último grande papel, escolheu ser pouco glamourosa.

Desconfortável.

Real.

Não pelas risadas.

Não pelos prêmios.

Mas porque mulheres idosas em situação de rua eram invisíveis — e Lucille Ball tinha a fama necessária para fazê-las ser vistas.

Isso é coragem aos 74 anos:

Arriscar tudo o que você construiu para iluminar aqueles que quase ninguém enxerga.

Stone Pillow não é o que a maioria das pessoas lembra quando pensa em Lucy.

Não é sua obra mais famosa. Não ganhou grandes prêmios. Muita gente sequer ouviu falar dela.

Mas revela algo profundo sobre quem ela era quando as câmeras não a transformavam em um ícone da comédia:

Ela se importava mais em usar sua voz para o bem do que em proteger sua imagem.

Lucille Ball: 1911–1989
A comediante que fez o mundo rir.
A pioneira que quebrou barreiras para as mulheres na televisão.
A executiva que construiu o próprio caminho.
A mulher de 74 anos que interpretou uma pessoa em situação de rua quando quase ninguém com sua plataforma teve coragem de fazê-lo.

Naquele 5 de novembro de 1985, Lucy assumiu o maior risco de sua carreira lendária.

Não por aplausos.

Não por dinheiro.

Mas para tornar visíveis as pessoas invisíveis.

Essa é a história de Lucille Ball que não é contada o suficiente.

A que escolheu coragem em vez de conforto.

Propósito em vez de elogios.

Impacto em vez de imagem.

Aos 74 anos, quando já não tinha mais nada a provar, ela mostrou o que realmente importa:

Como você usa a sua voz quando a tem.

Fonte: The Paley Center for Media (“CBS Tuesday Movie: Stone Pillow (TV)”, 5 de novembro de 1985)

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