Essa pergunta, realizada pelo pai da psicanálise, foi uma das suas maiores contribuições a uma suposta Psicologia do Feminino. Em seguida veio Lacan, dizendo-nos que A mulher não existe, pois não haveria, em última instância, um único elemento que as pudesse definir como um grupo. Pois bem, há controvérsias. Ainda bem que há. Primeiro por que se trata apenas de UM possível discurso sobre o feminin
o. E são tantos os que existem, e, mais importante, os que estão por existir! Mesmo dentro da ciência psicológica são diversos os modos de entendimento do ser feminino. Nasce-se mulher? Torna-se mulher? Ou ambas as coisas? Cada linha de pensamento procura uma compreensão dentro da sua lógica, com as ferramentas de que dispõe. E, convenhamos, compreender a amplitude do universo feminino só pode ser aceitável com caminhos igualmente amplos. Em segundo lugar, os dois autores citados são homens, os quais viveram numa determinada época, num determinado lugar. Será, então, que podemos generalizar e universalizar teorias e conceitos sobre o feminino, levando-se em conta a volatilidade das nossas sociedades? Há que diga que sim; há quem diga que não. O que não dá para negar é que, a cada dia, surgem novas questões, novas situações, novos tipos de relações que exigem das mulheres novos posicionamentos; outras formas de ser no mundo. Há também aquelas que, apesar de sempre atravessadas pelo social, dizem respeito a aspectos do feminino que existem desde sempre, como o ato de gestar, parir e criar outro ser humano. Enfim, são numerosas e diversas as questões que constituem uma subjetividade feminina, e a complexidade do assunto tem-se mostrado cada vez mais urgente de ser colocada em pauta e em discussão. Não só mulheres, mas também os homens, crianças e a própria sociedade correm um perigoso risco de cair em adoecimento e sofrimento quando o feminino se vê ameaçado em sua potencialidade.