02/03/2026
Eu preciso fazer terapia?
Algumas pessoas fazem essa pergunta com noções, às vezes equivocadas, de terapia. Há quem a veja como algo voltado para "loucos", "desequilibrados", "ansiosos", "depressivos", entre outros "rótulos tipológicos" (tema para outros textos). Trata-se de um equívoco a redução do acompanhamento terapêutico a um apoio emergencial.
Não negamos a importância da terapia para quem passa por sofrimentos diversos. O engano ocorre quando se confunde esse recurso como aplicado somente a casos limites da vida. Quando expandimos o sentido da ideia do cuidado no consultório para um acompanhamento mais global do indivíduo, seus efeitos podem se tornar preventivos diante de algum problema futuro, tanto para evitá-lo quanto para obter meios a fim de melhor lidar com a situação.
Um modo interessante para pensar a terapia é o cultivo da qualidade de vida. Quando alguém procura a terapia, geralmente busca ajuda para lidar com problemas. É possível alcançar um bem-estar subjetivo nesses casos. Mas, se essa procura ocorre quando as coisas estão bem, o direcionamento da clínica pode ocorrer para viabilizar mais vivências agradáveis ao sujeito atendido.
Quando determinado problema é trabalhado no consultório, há uma inclinação das pessoas para abandonar a terapia. Afinal, o problema passou. Mas, o bem-estar alcançado não precisa se limitar a um alívio diante do findar da questão. Há a possibilidade -- muitas vezes, ignorada -- de começar um processo de cultivo de uma vida com mais elementos benéficos ao indivíduo.
A terapia pode ajudar a alcançar uma qualidade de vida nas relações, no trabalho, na descoberta de infindáveis formas de lazer, nas mudanças em diversas instâncias da existência antes inimagináveis, entre outros aspectos. Assim como a vida saudável vai além da ausência de doença, fomentar um bem-estar não se restringe a não ter um problema a ser trabalhado no consultório.
Respondendo à pergunta: a terapia não precisa ser uma necessidade, mas uma escolha. Uma opção por uma qualidade de vida. Isso não é cultivado apenas no trabalho terapêutico. Mas, as sessões com um bom terapeuta pode fazer a diferença.
Faça uma experiência!
- Miguel Angelo Caruzo