07/08/2018
Com o debate do tema em alta, é possível notar que a grande “sacada” do relacionamento abusivo é o fato de que a vítima não se dá conta de que está dentro de uma relação deste tipo.
Poucos cliques no Google nos levam à especialistas, infinitos textos muito bem estruturados e detalhados sobre o que é ser vítima desse abuso tão sutil e ao mesmo tempo tão destruidor.
A partir disso, o que esta mulher faz depois que descobre que é vítima? Porque seguiria insistindo em algo que a faz tão mal? É nesse momento, que mesmo sem perceber, muitos trocam compaixão por certa falta de paciência.
Afinal: "Eu já te avisei e você continua...você gosta de apanhar?"
Uma tsunami de culpa chega em seguida: primeiro, vem a culpa de se sentir inferior (resultado direto das violências desse abusador). Depois a culpa por ter permitido ser destruída por ele. No fim, chega-se a conclusão de que você é mesmo culpada por tudo. Afinal, não nos contaram que o abusador era engraçado, gentil, que todo mundo gostava dele...Não nos avisaram que fora você –ser desprezível – ele trata todo mundo muito bem sim, ele é legal pra caramba com a galera. E se, no fim das contas, ele só é assim com você...O que você fez ein? Será o cabelo? O comportamento “inadequado”? O peso?
A sacada do relacionamento abusivo não é apenas a vítima não se dar conta de que está sendo abusada, mas sim de que mesmo tomando consciência não consiga sair disso. Reduzir o relacionamento abusivo à mera falta de consciência é subestimar a capacidade do abusador de fazer mal aos poucos e da própria vítima de perceber tudo ao seu redor.
No entanto, sabemos que muitas mulheres seguem acreditando que aquelas manifestações de violência são sua única possibilidade de vida. Por isso, é preciso mudar isso a partir da consciência e o debate sobre o tema. É preciso empoderar mulheres. Apenas chamo atenção para que não simplesmente joguemos realidades na cara dessa vítima sem qualquer apoio. Esse cenário se modif**a sim com debate. Mas também com escuta. É preciso que essas mulheres se sintam acolhidas e não culpadas.