23/07/2026
De 24 a 30% da perda de peso com incretínico corresponde a massa livre de gordura nas análises dos ensaios disponíveis. As implicações clínicas ainda não estão definidas, sobretudo em idosos, que já partem de menor reserva muscular.
O novo consenso conjunto de EASO, EFAD e ECPO, publicado no Lancet Diabetes & Endocrinology, coloca a terapia nutricional conduzida por nutricionista como central no cuidado da obesidade e complementar à farmacoterapia. Vinte e seis autores, primeira orientação europeia a integrar nutrição, função e psicologia em um mesmo marco prático.
O que muda na sua conduta:
1. Meta pragmática de 3:1 entre perda de gordura e perda de massa magra, quando houver dado de composição corporal. A cada 4 kg perdidos, ao menos 3 kg de gordura e no máximo 1 kg de massa livre de gordura.
2. Proteína adequada, fibra, líquidos e alimentos densos em nutrientes, com suplementação dirigida quando indicada e monitoramento regular.
3. Treino resistido associado ao aeróbico, como estratégia de preservação de massa magra durante o tratamento.
4. Avaliação além do IMC: adiposidade central por circunferência da cintura ou relação cintura estatura, mais uma medida de função muscular como preensão palmar ajustada ou sentar e levantar 5x. DXA ou BIA onde houver disponibilidade e viabilidade de custo, sobretudo em maior risco de sarcopenia.
5. Rastreio psicológico antes do início, incluindo transtorno por uso de álcool, com atenção a comportamento alimentar desordenado e à mudança de identidade que pode acompanhar perdas expressivas.
O medicamento reduz o apetite. Quem sustenta a qualidade dessa perda é a conduta nutricional.
Me conta nos comentários: você já monitora função muscular na sua consulta ou ainda está só no peso e no IMC?
Referência: Dobbie LJ, Tolvanen L, et al. Nutritional, functional, and psychological considerations for incretin-based therapies in adults: an EASO, EFAD, and ECPO Consensus Statement. The Lancet Diabetes & Endocrinology. 2026. DOI: 10.1016/S2213-8587(26)00122-1