17/06/2026
Talvez o vazio tenha adquirido uma reputação pior do que merece.
Aprendemos a preencher rapidamente os silêncios, as pausas e os momentos de tédio. Às vezes com tarefas. Às vezes com distrações. Às vezes com preocupações.
Mas nem tudo o que é importante acontece enquanto estamos ocupados.
Algumas experiências precisam de tempo para serem elaboradas. Algumas emoções precisam de espaço para serem compreendidas.
Winnicott escreveu sobre a capacidade de estar só como um importante sinal de amadurecimento emocional. Não no sentido do isolamento, mas da possibilidade de permanecer consigo mesmo sem a necessidade constante de escapar para algo externo.
Talvez seja por isso que o vazio nos incomode tanto.
Não porque ele seja necessariamente ruim, mas porque nos coloca diante de uma experiência que temos cada vez menos oportunidades de viver: a de simplesmente estar.
Talvez a questão não seja o que nasce de uma mente vazia.
Talvez a questão seja o que deixamos de encontrar quando já não conseguimos tolerar o vazio.
📚 Para quem quiser se aprofundar:
Winnicott, D. W. – O Brincar e a Realidade.