30/07/2026
Tenho encaminhado pacientes para avaliação com otorrinolaringologistas, como faz parte de uma atuação responsável no tratamento do zumbido.
No entanto, com uma frequência que eu gostaria que não existisse, esses pacientes retornam dizendo que ouviram frases como:
“Fonoaudiólogo não trata zumbido.”
“Pode interromper esse tratamento.”
“Isso não adianta.”
Confesso que isso me entristece.
Não porque alguém discorde da minha conduta. A ciência evolui justamente pelo debate técnico.
O que me preocupa é quando um paciente deixa de receber um cuidado multiprofissional porque uma profissão inteira é desqualificada.
O tratamento do zumbido não pertence ao médico. Não pertence ao fonoaudiólogo. Não pertence ao psicólogo.
Ele pertence ao paciente.
Cada profissão tem suas competências e sua responsabilidade. Quando trabalhamos juntos, quem ganha é o paciente. Quando um profissional invalida, de forma categórica, a atuação do outro sem diálogo, quem perde também é o paciente.
Continuarei encaminhando meus pacientes ao otorrinolaringologista sempre que houver indicação, porque acredito no trabalho em equipe.
Mas espero, sinceramente, que esse respeito seja recíproco.
A saúde não deveria ser um território de disputa. Ela deveria ser um espaço de colaboração.