12/06/2026
Dia dos Namorados: uma reflexão psicanalítica sobre o amor
O amor sempre ocupou um lugar central na experiência humana. Para Freud, amar e trabalhar eram duas das tarefas fundamentais da vida. Mas o amor está longe de ser algo simples. Ele nos atravessa, nos transforma, nos confronta com nossos desejos, nossas faltas, nossas expectativas e também com nossas vulnerabilidades.
Na psicanálise, compreendemos que amar não é encontrar alguém perfeito, mas sustentar um encontro possível entre duas subjetividades imperfeitas. Como nos lembra Freud, muitas vezes buscamos no outro algo que nos complete, mas a experiência amorosa nos ensina que nenhuma relação elimina por completo a falta constitutiva do ser humano.
Lacan afirmava que “amar é dar o que não se tem”. Uma frase que nos convida a pensar que o amor verdadeiro não nasce da completude, mas da capacidade de compartilhar nossa humanidade, nossas limitações e nossos afetos.
Neste Dia dos Namorados, vale lembrar que o amor assume muitas formas. Está presente nos relacionamentos amorosos, nas famílias, nas amizades, nos vínculos construídos ao longo da vida e também no cuidado consigo mesmo. Em uma sociedade cada vez mais diversa, reconhecer as múltiplas formas de amar é reconhecer a singularidade de cada sujeito e de cada história.
Como ensinou Donald Winnicott, é no ambiente de acolhimento e cuidado que o ser humano pode desenvolver seu verdadeiro self. Amar também é oferecer ao outro um espaço onde ele possa existir sendo quem é.
Que este dia seja menos sobre idealizações e mais sobre encontros reais. Menos sobre perfeição e mais sobre presença. Menos sobre atender expectativas e mais sobre construir vínculos pautados no respeito, na escuta e na autenticidade.
Porque, no fim, amar é reconhecer a humanidade no outro sem deixar de reconhecer a própria.
Feliz Dia dos Namorados. Que o amor, em todas as suas formas, encontre espaço para florescer. ❤️
Lourraine Marega Andrade Zago
Psicóloga | Psicoterapeuta Psicanalítica Individual, Familiar e de Casal