12/05/2026
Tem mulher que, quando começa a se relacionar com alguém, sai completamente de si. Ela observa se o outro está interessado, se está se divertindo, se achou ela bonita, leve, agradável, interessante. Se vai chamar de novo. Se ela falou demais. Se demonstrou demais. Se foi intensa demais.
Mas quase não se pergunta: eu gostei dessa pessoa? Eu me diverti? Me senti à vontade? Eu gosto de quem eu sou quando estou perto dela?
Esse é o ponto. Muitas mulheres não entram em uma relação a partir do lugar adulto de quem também escolhe. Elas entram a partir de um lugar emocional antigo: o lugar de quem precisa ser escolhida pra se sentir amada.
É como estar diante de um banquete com todas as guloseimas que você mais gosta. Quando existe muita fome, o impulso é devorar tudo sem pensar. Mas quando existe presença, você consegue parar e perguntar: do que eu estou realmente com fome?
Porque nem tudo que desperta desejo realmente te nutre, química não sustenta vínculo, e nem toda atenção é realmente cuidado.
Uma mulher movida pela carência tenta se adaptar ao outro. Ela tenta ser mais interessante, mais compreensiva, mais disponível, mais parecida com o que ele parece desejar. E, quando percebe que a relação não está boa, em vez de concluir “isso não faz sentido para mim”, ela pensa: “eu preciso me esforçar mais”.
Esse é o funcionamento da dependência emocional: não é só gostar muito de alguém, é perder o próprio eixo na tentativa de garantir amor.
No meu trabalho, eu olho para isso em três dimensões: psicológica, sistêmica e corporal. Porque não basta dizer “se valorize” ou “escolha melhor” se, na hora da relação, o corpo ainda corre para agradar.
Autonomia emocional não é deixar de amar. É conseguir amar sem abandonar a si mesma. É perceber o que você sente, o que gosta, o que não gosta, o que expande, o que contrai, o que é desejo real e o que é só fome antiga de validação.