30/03/2026
Tenho usado este espaço para escrever sobre mim, não como exposição, mas como forma de elaborar, dar sentido e ressignificar experiências que me atravessam.
Quem convive comigo, bem próximo a mim, sabe o quanto a minha lesão no joelho foi algo que me tocou, que me machucou, não só fisicamente, mas me deixou abalada emocionalmente.
Recuperar um joelho exige mais do que fortalecer músculos.
Exige paciência, constância e, principalmente, lidar com o tempo das coisas (talvez seja por isso que tenha me afetado tanto).
Na fisioterapia, cada pequeno avanço parece lento demais.
Às vezes, é imperceptível.
Às vezes, frustrante (muitas vezes, diga-se de passagem).
E é curioso como esse processo se parece com tantos outros na vida.
A gente quer respostas rápidas, evolução visível, resultados concretos. Inclusive, eu recebo na clínica, muitas pessoas que querem a "cura" em poucas sessões, como se fosse possível.
Mas, nem tudo responde à pressa.
Nem tudo acontece no nosso tempo.
Psicologicamente, aprender a sustentar o “ainda não” é um dos maiores desafios.
É tolerar a pausa sem desistir.
É confiar no processo mesmo quando ele não mostra sinais claros.
Recuperar também é isso:
não só voltar ao que era antes,
mas, desenvolver uma nova forma de se relacionar com a espera, com os limites e com o próprio corpo.
Nem todo progresso é visível.
Nem tudo evolui rápido.
Mas, isso não significa que ele não esteja acontecendo.