Psicóloga Thalita Alves Bernardes

Psicóloga Thalita Alves Bernardes Atendimento clínico psicológico à adolescentes, adultos e idosos.

A experiência da análise nos convida a desenvolver uma relação mais gentil com a vida e com nós mesmos. Não para elimina...
08/06/2026

A experiência da análise nos convida a desenvolver uma relação mais gentil com a vida e com nós mesmos. Não para eliminar as incertezas ou encontrar respostas prontas, mas para nos tornarmos mais confortáveis com a arte de existir, de sentir e de construir nosso próprio caminho.

Como você tem vivido a experiência de ser e estar na vida?

Nos últimos meses, utilizei esse espaço como uma forma de ressignificação e compartilhei um pouco sobre a minha queda, l...
28/05/2026

Nos últimos meses, utilizei esse espaço como uma forma de ressignificação e compartilhei um pouco sobre a minha queda, lesão no joelho, o repouso e as incertezas que surgiram nesse processo. E agora, vivendo o pós operatório, tenho refletido que a recuperação envolve muito mais do que apenas o corpo.

O pós-operatório tem me ensinado muito sobre paciência e sobre aceitar que alguns processos simplesmente precisam de tempo.

Para quem está acostumado a ter autonomia, rotina acelerada e independência, precisar de ajuda até para atividades simples pode ser um exercício emocional importante. Não porque exista fraqueza nisso, mas porque fomos acostumados à ideia de que dar conta de tudo sozinho é o ideal, além de perceber que existem momentos da vida em que não temos controle sobre o ritmo das coisas.

E é curioso como o corpo, em determinados momentos, nos convida justamente ao contrário: desacelerar, aceitar ajuda, respeitar processos e reconhecer que precisar do outro também faz parte da experiência humana. Existe um tempo da recuperação que não pode ser acelerado.

Talvez eu esteja menos “aprendendo” e mais sendo “a-preendida” por esse processo.

A recuperação tem sido um exercício diário de paciência, presença e acolhimento comigo mesma. Talvez amadurecer também passe por isso: aceitar cuidado, acolher as pausas e compreender que nem tudo acontece no nosso tempo.

Um aprendizado, ou talvez um “a-preendido” chamado paciência. ⏳

Tenho usado este espaço para escrever sobre mim, não como exposição, mas como forma de elaborar, dar sentido e ressignif...
30/03/2026

Tenho usado este espaço para escrever sobre mim, não como exposição, mas como forma de elaborar, dar sentido e ressignificar experiências que me atravessam.

Quem convive comigo, bem próximo a mim, sabe o quanto a minha lesão no joelho foi algo que me tocou, que me machucou, não só fisicamente, mas me deixou abalada emocionalmente.

Recuperar um joelho exige mais do que fortalecer músculos.
Exige paciência, constância e, principalmente, lidar com o tempo das coisas (talvez seja por isso que tenha me afetado tanto).

Na fisioterapia, cada pequeno avanço parece lento demais.
Às vezes, é imperceptível.
Às vezes, frustrante (muitas vezes, diga-se de passagem).
E é curioso como esse processo se parece com tantos outros na vida.
A gente quer respostas rápidas, evolução visível, resultados concretos. Inclusive, eu recebo na clínica, muitas pessoas que querem a "cura" em poucas sessões, como se fosse possível.
Mas, nem tudo responde à pressa.
Nem tudo acontece no nosso tempo.

Psicologicamente, aprender a sustentar o “ainda não” é um dos maiores desafios.
É tolerar a pausa sem desistir.
É confiar no processo mesmo quando ele não mostra sinais claros.
Recuperar também é isso:
não só voltar ao que era antes,
mas, desenvolver uma nova forma de se relacionar com a espera, com os limites e com o próprio corpo.
Nem todo progresso é visível.
Nem tudo evolui rápido.
Mas, isso não significa que ele não esteja acontecendo.

Ser mulher nunca foi uma experiência neutra.É uma existência atravessada por história, cultura, expectativas e também po...
08/03/2026

Ser mulher nunca foi uma experiência neutra.
É uma existência atravessada por história, cultura, expectativas e também por muitas formas de resistência.

O 8 de março não nos convoca apenas a celebrar, mas a lembrar que direitos, reconhecimento e segurança ainda são questões fundamentais.

Em um mundo onde tantas mulheres ainda tem suas vidas interrompidas pela violência, falar de liberdade também é falar sobre o direito de existir.

Que essa data siga nos convocando à reflexão e à responsabilidade coletiva por um mundo em que mulheres possam viver e estar neste mundo com dignidade e segurança.

Tem dias em que quem escuta também precisa se escutar.Essa semana eu precisei reagendar uma sessão.Recebi uma notícia di...
12/02/2026

Tem dias em que quem escuta também precisa se escutar.

Essa semana eu precisei reagendar uma sessão.
Recebi uma notícia difícil, sobre um sonho que vinha sendo construído há mais de um ano. Fui impactada. Fiquei triste. E, principalmente, percebi que eu não estava inteira.
Poderia ter ido atender a minha paciente. Poderia ter “cumprido a agenda”.

Mas escuta não é presença física. Escuta é disponibilidade psíquica. E eu não teria conseguido sustentar isso com a qualidade e a responsabilidade que o setting exige.

Na clínica, falamos tanto sobre reconhecer limites, sobre validar afetos, sobre respeitar o próprio tempo.
Ser coerente com isso, às vezes, significa parar.
Ser psicóloga não me coloca fora da condição humana.
Eu também me frustro. Também me entristeço. Também preciso de tempo para elaborar o que me atravessa.
Reagendar não foi falta de compromisso.
Foi compromisso com a ética do cuidado.
Porque cuidar do outro exige, antes, honestidade comigo.

E você? Tem se permitido pausar quando não está inteiro(a)?

Eu tinha programado tudo.O recesso, a viagem, os dias de descanso e também de muito estudo, os passeios que eu queria fa...
03/02/2026

Eu tinha programado tudo.

O recesso, a viagem, os dias de descanso e também de muito estudo, os passeios que eu queria fazer.
Passagem comprada. Tudo organizado (ou melhor, quase tudo). Roteiro salvo.
Duas semanas antes da viagem, eu caí.
Lesionei o joelho.
Repouso. Dor. Incerteza.
E junto com a dor física, veio outra sensação difícil de nomear: a frustração de ver o plano escapar das minhas mãos (pelo menos da forma como eu queria que fosse).
Porque, no fundo, não era só sobre a viagem.
Era sobre a ilusão de que eu tinha controle.
A gente organiza a vida como se pudesse garantir que tudo vai acontecer conforme o planejado. Como se o planejamento fosse uma forma de proteger a gente do imprevisto.

Mas, a vida não respeita o nosso roteiro.

E é nesse ponto que algo muito importante aparece do ponto de vista psicológico: o sofrimento, muitas vezes, não está apenas no que acontece, mas na quebra da fantasia de que conseguiríamos evitar que acontecesse.
Não controlamos o corpo.
Não controlamos o tempo.
Não controlamos os acontecimentos.
E sustentar essa constatação não é simples.
Talvez amadurecer emocionalmente também tenha a ver com isso: aprender a se reposicionar diante do que foge completamente do esperado.
Não é sobre desistir.
É sobre flexibilizar.
Porque, às vezes, o que mais adoece não é o imprevisto, é a rigidez de querer que a vida obedeça ao plano.

Essa queda me lembrou, na prática, algo que escuto muito na clínica: a necessidade que temos de sentir que estamos no comando.
Mas, não estamos.
E talvez saúde mental também seja isso: diminuir a necessidade de controle e aumentar a capacidade de adaptação.
A viagem ainda vai acontecer.
Mas, eu já não sou a mesma pessoa que a planejou.
E isso, curiosamente, também faz parte do caminho.

🗨️ Sobra a necessidade de sustentar um espaço onde o sujeito possa dizer o que não cabe nos discursos prontos.Porque, qu...
22/01/2026

🗨️ Sobra a necessidade de sustentar um espaço onde o sujeito possa dizer o que não cabe nos discursos prontos.

Porque, quando falamos de saúde mental, não estamos falando de soluções rápidas para experiências complexas. Estamos falando de escuta, de tempo e de processo.

⏳ Nem toda dor pede a mesma coisa: algumas pedem medicação, outras pedem fala, outras pedem vínculo. O que elas têm em comum é que não se resolvem pela pressa.

Um mês pode abrir conversas importantes. Pode ampliar o olhar e nomear questões que, muitas vezes, passam despercebidas no cotidiano. Mas, é justamente quando o mês termina que o cuidado precisa continuar.

✨ Porque saúde mental não segue cronograma. Cada sujeito tem seu ritmo, seus atravessamentos e o tempo necessário para elaborar aquilo que insiste.

Depois de janeiro, sobra o compromisso com essa continuidade: manter aberto o espaço de escuta ao longo do ano, quando já não há campanha, cor ou lembrança no calendário.

Hoje eu fui surpreendida de maneira muito positiva por uma querida paciente, que está comigo há alguns anos.Receber esta...
13/12/2025

Hoje eu fui surpreendida de maneira muito positiva por uma querida paciente, que está comigo há alguns anos.

Receber esta orquídea neste período do ano me fez refletir sobre processos. Flores não nascem prontas: exigem tempo, cuidado, constância e presença.

Assim também são os caminhos que percorremos em análise.
Crescimento não é pressa. É vínculo, escuta e respeito ao tempo interno de cada um.

O encerramento de um ano nos chama a balanços, pausas e possíveis atravessamentos. Nem tudo floresce no ritmo que gostaríamos e ainda assim, cresce.

Que este novo ano venha com mais gentileza consigo, menos exigência e mais confiança no próprio processo.
Que possamos honrar o tempo do florescer: silencioso, singular e profundamente humano. 🌸

✨ Domingo de poesiaEntre o silêncio e o pensamento livre, há um reencontro, desses que não pedem pressa, nem palavras.É ...
26/10/2025

✨ Domingo de poesia
Entre o silêncio e o pensamento livre, há um reencontro, desses que não pedem pressa, nem palavras.
É o instante em que o eu se reconhece, e a solidão se torna abrigo. 🌿

Trecho de Clarice Lispector em Um sopro de vida (Rocco, 2020):

“Fiquei sozinha um domingo inteiro…
Era o encontro do eu com o eu.
A solidão é um luxo.”

🧠✨ Dia Mundial da Saúde MentalNem sempre a força está em continuar.Às vezes, ela está em pausar.Em reconhecer o cansaço....
11/10/2025

🧠✨ Dia Mundial da Saúde Mental

Nem sempre a força está em continuar.
Às vezes, ela está em pausar.
Em reconhecer o cansaço.
Em pedir ajuda.

Cuidar da mente é lembrar que você não precisa dar conta de tudo sozinho(a).

🌿 Que hoje (e todos os dias) exista espaço para respirar, sentir e recomeçar.

E por aí, como anda sua saúde mental? 💭

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