Psicóloga Andressa Alves

Psicóloga Andressa Alves Psicóloga clínica | CRP-08/38699. Mestranda (UFU) e pós-graduada (EPPM) em psicanálise.

Em seu trabalho clínico, Marion Minerbo utiliza a expressão “criança-no-adulto” para se referir a aspectos da nossa hist...
15/06/2026

Em seu trabalho clínico, Marion Minerbo utiliza a expressão “criança-no-adulto” para se referir a aspectos da nossa história psíquica que permanecem vivos e atuantes, mesmo muitos anos depois da infância. Não se trata de uma criança literal habitando o adulto, mas de marcas emocionais, modos de se relacionar, medos, desamparos e formas de buscar reconhecimento que continuam presentes.

Por isso, nem sempre o sofrimento atual diz respeito apenas ao que está acontecendo agora. Muitas vezes, ele também fala de experiências antigas que ainda encontram formas de se expressar.

Cuidar da criança que se foi não significa voltar ao passado para mudá-lo. Significa reconhecer os efeitos que ele deixou, dar lugar ao que não pôde ser elaborado e construir novas formas de relação consigo mesmo.

Em muitos casos, não é o adulto que precisa aprender algo novo. É a criança-no-adulto que finalmente precisa ser escutada e é justamente quando isso acontece que algo começa a mudar.

Psicóloga Andressa Alves
CRP 08/38699

A ideia de Lacan rompe com a noção romântica de amor como completude. Em geral, pensamos o amor como algo que serve para...
21/05/2026

A ideia de Lacan rompe com a noção romântica de amor como completude. Em geral, pensamos o amor como algo que serve para completar, como o encontro de duas “metades da laranja”. Porém, nessa perspectiva, amar não seria oferecer algo que completa o outro ou receber algo que nos complete. O amor seria uma tentativa de construir laço apesar da falta, da incompletude e do desencontro entre os sujeitos.

Quando Lacan diz que amar é “dar o que não se tem”, ele está falando da falta. A gente ama justamente porque não é completo, e ama alguém que também não é. Não podemos oferecer garantias absolutas, porque somos faltantes, assim como o outro também é. Ainda assim, ambos tentam, de certa forma, sustentar esse encontro apesar do desencontro.

Já a frase “a alguém que não o quer” toca na fantasia sobre o desejo do outro. A gente nunca sabe completamente o que o outro deseja, nem controla isso. Existe sempre um desencontro entre o que imaginamos oferecer, o que imaginamos que o outro quer e aquilo que o outro efetivamente deseja.

Assim, não amamos porque encontramos alguém que completa tudo. Amamos justamente porque não somos inteiros. Amamos na falta e apesar dela.

Psicóloga Andressa Alves
CRP 08/38699

07/05/2026

A precarização do trabalho não se mantém apenas por coerção econômica, mas porque mobiliza uma economia libidinal que articula dominação e submissão. O sujeito é simultaneamente afetado pelo sistema e convocado a sustentá-lo.

Tags:

Referência:
MENEZES, Lucianne Sant’Anna de. Um olhar psicanalítico sobre a precarização do trabalho: desamparo, pulsão de domínio e servidão. 2010. Tese (Doutorado em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.

01/05/2026

“Se as mulheres, como vimos, aprendem o silêncio como forma de cuidar das relações (abrir mão de si mesma, para manter o bem-estar dos outros e das relações), no caso dos homens, trata-se de manter a cumplicidade com outros homens e para preservar, narcisicamente, o sentimento de honra perante eles” (ZANELLO, 2018).

Tags:

Em uma de minhas aulas do mestrado, lemos um artigo sobre a ressignificação da história de vida no luto que mexeu comigo...
27/04/2026

Em uma de minhas aulas do mestrado, lemos um artigo sobre a ressignificação da história de vida no luto que mexeu comigo, visto que passei por um luto há alguns anos que me destruiu. O escrito justamente articulou de que o luto não é superado somente ao voltarmos pra normalidade da vida antes da perda, é necessário testemunhá-lo. E eu não testemunhei; tentei me distrair com o trabalho, faculdade e outras demandas, acreditando que o tempo, sozinho, me sopraria a cura de alguma forma.

O amor é transitório, não no sentido de superficial, mas de não-permanente. A perda não é um “acidente” fora da experiência amorosa, mas é parte dela. Amar implica, em algum nível, estar exposto à perda. E o luto, nesse sentido, é uma forma de dar destino a esse investimento amoroso que não pode mais se sustentar como antes.

Assim, em vez de “voltar ao normal” na rotina, como se nada tivesse acontecido, trata-se de produzir uma narrativa possível sobre a perda, inscrevê-la na própria história. Quando isso não acontece, o que era para se transformar pode ficar suspenso, como se o tempo não tivesse sido simbolizado.

Na leitura de Kehl, o amor, por ser finito, não é menos; ele é mais urgente, mais carregado de sentido. O problema não está na transitoriedade em si, mas na dificuldade de sustentar o que ela implica: limite, falta, irreversibilidade.

Assim, não é o tempo, por si só, que opera o trabalho do luto, mas a possibilidade de experienciá-lo. Isso implica sustentar a dor, reconhecer a perda e, sobretudo, permitir que algo dessa experiência encontre inscrição, ainda que incompleta, na própria história. Ressignificar, nesse sentido, não é apagar o que aconteceu nem “superar” no sentido comum, mas construir um depois que inclua a marca dessa ausência. É somente ao atravessar o luto, e não ao contorná-lo, que o sujeito pode deslocar o investimento amoroso e reinscrever seu desejo, fazendo da perda não um ponto de estagnação, mas um ponto de transformação.

E se esse texto chegou até você em um momento que está justamente precisando testemunhar um luto, eu posso te ouvir.

Psicóloga Andressa Alves
CRP 08/38699

31/03/2026

Brincadeirinha, não pode brigar com a psi não em? rs

Que oportunidade foi participar do congresso do relapso!  Quanto aprendizado em 3 dias de evento ✨
13/03/2026

Que oportunidade foi participar do congresso do relapso! Quanto aprendizado em 3 dias de evento ✨

09/03/2026

A MISOGINIA PODE SE TORNAR CRIME NO BRASIL.

No dia 11 de março, o Projeto de Lei 896/2023, da senadora Ana Paula Lobato, será votado na Comissão de Direitos Humanos do Senado. O projeto propõe incluir a misoginia na Lei do Racismo, tornando atos misóginos crimes inafiançáveis e imprescritíveis, com pena de reclusão de 2 a 5 anos e multa.

Mas projetos de lei não avançam sozinhos. A pressão da sociedade é fundamental para que eles sejam aprovados. A população pode e deve acompanhar as votações, cobrar posicionamento dos parlamentares e demonstrar que esse tema importa.

A misoginia é uma das mais claras expressões das práticas da masculinidade hegemônica, não se tratando de antipatia individual ou conflito isolado, e sim um padrão societário que naturaliza a ideia de uma inferioridade de gênero: o feminino.

Em 2025, 1.568 feminicídios foram registrados no país, o maior número nos últimos 10 anos.

A aprovação de uma lei que reconheça a misoginia como crime pode ajudar justamente a enfrentar a raiz cultural dessa violência. Quando o discurso de ódio contra mulheres passa a ter consequências jurídicas mais severas, cria-se um limite social mais claro para práticas que muitas vezes foram banalizadas ou tratadas como “opinião”.

Além disso, a legislação também pode fortalecer a responsabilização em casos de ataques coletivos, campanhas de ódio e perseguição contra mulheres, especialmente nas redes sociais, ambientes onde a misoginia tem se organizado e se espalhado com grande velocidade.

FAÇAM BARULHO para que o projeto avance no senado para mostrar a importância desse tema! NENHUMA A MENOS!

02/03/2026

Quase sempre, quem tá de fora acha que é simples: é só terminar.

Mas quem tá dentro não enxerga com essa clareza. Porque o relacionamento abusivo não começa com grito, começa com atenção demais. Com mensagens o tempo todo, promessas de exclusividade, declarações intensas.

Depois vem o ciúme, o controle, a crítica mascarada de preocupação. E aos poucos, a pessoa vai se moldando pra evitar conflito. Vai se afastando da família, dos amigos, das opiniões que discordam. Vai se culpando por sentir o que sente, até duvidar do que vê.

A grande violência do abuso psicológico é que ele faz a vítima se perguntar se está exagerando. Se é ela que tá errada. Se merece aquilo. E o abusador alimenta esse ciclo com silêncio, sarcasmo, manipulação, chantagem emocional.

Isso destrói a autoestima, mas também a percepção da realidade. A pessoa sabe que tá mal, mas não sabe mais por quê.

Por isso, sair não é só romper o relacionamento. É recuperar a própria identidade. É lembrar do que gosta, do que pensa, do que nunca mereceu passar. E isso leva tempo, apoio, segurança emocional.

Psicóloga Andressa Alves
CRP 08/38699

dependênciaemocional sinaisdealerta violenciapsicologica

02/03/2026

Homens envelhecem como vinho, e mulheres envelhecem como leite.
Já ouviu essa patifaria aqui na internet? Eu já, e mais de uma vez.

Acontece que a gente não está falando de biologia, e sim de valor social. Enquanto homens são avaliados pelo que constroem, mulheres são avaliadas pelo que aparentam.

O envelhecer de cada gênero é visto e medido de forma diferente. Quando falamos de envelhecimento feminino, falamos puramente de estética. Mas quando falamos de envelhecimento masculino, falamos de poder.

A ideia é de que o tempo agrega valor ao homem porque ele acumula recursos: poder econômico, status, autoridade. Ao mesmo tempo, que a mulher perde seus recursos: ou seja, sua aparência jovial e sua capacidade metabólica de gerar filhos.

E isso tem consequências sociais concretas:
✅ Pressão estética desproporcional.
✅ Indústria bilionária anti-idade direcionada majoritariamente às mulheres.
✅ Normalização de relacionamento com jovens mulheres como símbolo social.

Essa narrativa não surge do nada. Ela é funcional. Ela mantém mulheres ocupadas tentando retardar o tempo e se moldar em padrões societários — em vez de disputar espaço, poder e reconhecimento ao lado dos homens. Enquanto os homens estão acumulando patrimônio, a mona tá preocupada com o horário do pilates.

E ai eu pergunto: quem se beneficia quando parte da população acredita que tem prazo de validade e que seu valor de mercado naturalmente diminui com o tempo?

Psicóloga Andressa Alves
CRP 08/38699

Tags: podereconomico

Endereço

Uberlândia, MG

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Psicóloga Andressa Alves posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Atalhos

Compartilhar

Categoria