15/06/2026
Em seu trabalho clínico, Marion Minerbo utiliza a expressão “criança-no-adulto” para se referir a aspectos da nossa história psíquica que permanecem vivos e atuantes, mesmo muitos anos depois da infância. Não se trata de uma criança literal habitando o adulto, mas de marcas emocionais, modos de se relacionar, medos, desamparos e formas de buscar reconhecimento que continuam presentes.
Por isso, nem sempre o sofrimento atual diz respeito apenas ao que está acontecendo agora. Muitas vezes, ele também fala de experiências antigas que ainda encontram formas de se expressar.
Cuidar da criança que se foi não significa voltar ao passado para mudá-lo. Significa reconhecer os efeitos que ele deixou, dar lugar ao que não pôde ser elaborado e construir novas formas de relação consigo mesmo.
Em muitos casos, não é o adulto que precisa aprender algo novo. É a criança-no-adulto que finalmente precisa ser escutada e é justamente quando isso acontece que algo começa a mudar.
Psicóloga Andressa Alves
CRP 08/38699