Claudiana Correntino - Psicóloga

Claudiana Correntino - Psicóloga Em análise não se ouve: “eu também passei por isso”, mas sim “fale-me mais sobre a tua angústia.

Em algum momento, entre responsabilidades, cobranças, prazos e a necessidade de dar conta de tudo, fui deixando de lado ...
13/08/2026

Em algum momento, entre responsabilidades, cobranças, prazos e a necessidade de dar conta de tudo, fui deixando de lado aquilo que simplesmente me fazia bem.
E talvez seja isso que a vida adulta faça com a gente: nos ensina a funcionar tão bem que, às vezes, esquecemos de sentir.
Colorir não precisava ter propósito. Não precisava produzir nada. Não precisava ser útil. Era só prazer.
Talvez a gente precise reaprender a fazer algumas coisas assim.
Sem transformar tudo em meta.
Sem precisar justificar.
Sem pensar no que aquilo vai render.
Porque cuidar de si também pode ser voltar para pequenas partes de quem você era antes de precisar ser tão forte o tempo todo.

Às vezes, o que falta não é mais uma resposta.

É um pouco de cor. 🎨

“O correr da vida embrulha tudo.” Talvez seja justamente aí que a vida psíquica nos confronte com aquilo que mais tentam...
12/08/2026

“O correr da vida embrulha tudo.” Talvez seja justamente aí que a vida psíquica nos confronte com aquilo que mais tentamos evitar: a falta de controle.
Há momentos em que tudo parece aquecer, apertar, desorganizar. Depois, sem pedir licença, algo afrouxa. O que parecia insuportável encontra outra forma de existir. O desejo muda, os vínculos mudam, nós mudamos.
Na perspectiva psicanalítica, coragem não significa não sentir medo. Significa poder sustentar aquilo que não sabemos, tolerar a angústia diante do que escapa ao nosso controle e continuar desejando mesmo quando não temos garantias.
Talvez a vida não esteja nos pedindo que tenhamos todas as respostas. Talvez esteja nos convocando a suportar o movimento, inclusive quando ele nos tira do lugar conhecido.
Porque viver também é isso: aceitar que nem tudo se resolve, nem tudo permanece e nem tudo precisa ser controlado.
O que a vida quer da gente é coragem para continuar sendo quem somos enquanto ainda estamos descobrindo quem podemos ser.

O cansaço muitas vezes não vem de uma única situação, mas de todas as abas que permanecem abertas ao mesmo tempo.Cobranç...
11/08/2026

O cansaço muitas vezes não vem de uma única situação, mas de todas as abas que permanecem abertas ao mesmo tempo.
Cobranças, responsabilidades, expectativas, medos, desejos e pensamentos que não encontram espaço para descansar.
Talvez você não precise dar conta de tudo agora. Talvez algumas abas possam simplesmente esperar.

Tem quem deseja profundamente alguma coisa, mas quando ela finalmente se aproxima, algo dentro começa a recuar.A oportun...
11/08/2026

Tem quem deseja profundamente alguma coisa, mas quando ela finalmente se aproxima, algo dentro começa a recuar.
A oportunidade aparece, mas a pessoa não consegue sustentá-la.
O afeto chega, mas surge uma desconfiança.
O reconhecimento acontece, mas logo vem a necessidade de provar que não era merecido.
E, sem perceber, aquilo que tanto desejava começa a ser destruído pelas próprias mãos.
Na perspectiva psicanalítica, esse movimento pode revelar que nem sempre aquilo que dizemos querer coincide com aquilo que o inconsciente consegue suportar.
Porque realizar um desejo também pode significar abandonar uma posição conhecida, assumir uma responsabilidade ou confrontar medos que antes permaneciam escondidos.
Por isso, algumas pessoas não fogem exatamente do fracasso.
Fogem daquilo que aconteceria se finalmente desse certo.

Hoje, a IA escreve por nós, cria por nós, responde por nós, melhora nossas fotos, organiza nossos pensamentos e até enco...
10/08/2026

Hoje, a IA escreve por nós, cria por nós, responde por nós, melhora nossas fotos, organiza nossos pensamentos e até encontra palavras para aquilo que sentimos.
Tudo precisa estar bonito. Correto. Rápido. Inteligente. Sem falhas.
Mas existe um problema nessa busca incessante pela perfeição: o humano não é perfeito.
A gente se contradiz. Fala o que não queria. Se arrepende. Muda de ideia. Escolhe errado. Ama quem não deveria. Perde oportunidades. Esquece palavras. Diz algumas tarde demais.
E é justamente nisso que existe algo que nenhuma tecnologia consegue substituir completamente: a experiência de ser um sujeito atravessado pela falta, pelo desejo e pelo inconsciente.
Na tentativa de eliminar nossos erros, talvez estejamos eliminando também aquilo que torna nossas experiências singulares.
Porque uma máquina pode produzir algo impecável.
Mas ela não tropeça nas próprias palavras e depois passa horas pensando no que deveria ter dito.
Não sente vergonha de uma escolha.
Não se angustia diante de uma ausência.
Não carrega a marca de um encontro que mudou sua vida.

Nós carregamos.

E talvez seja por isso que o erro não precise ser tratado como um defeito a ser corrigido imediatamente.
Às vezes, errar é simplesmente a prova de que existe alguém ali.

Talvez uma das formas mais silenciosas de sofrer seja precisar elaborar sozinho aquilo que, para os outros, sequer parec...
07/08/2026

Talvez uma das formas mais silenciosas de sofrer seja precisar elaborar sozinho aquilo que, para os outros, sequer parece ter sido uma perda.
Não é preciso perder alguém para viver um luto. Às vezes, o que se perde é uma possibilidade, um vínculo, uma versão de si mesma, um futuro imaginado, um desejo que não encontrou lugar na realidade.
E talvez uma das partes mais dolorosas seja justamente essa: sofrer por algo que, para os outros, parece não ter existido. Como elaborar uma ausência quando não houve despedida, cerimônia ou sequer testemunhas?
Na experiência de cada sujeito, porém, aquilo que foi desejado e investido de afeto deixa marcas. O inconsciente não organiza as perdas pela lógica do que o mundo considera importante. Ele registra aquilo que teve significado.
Por isso, algumas dores precisam antes de tudo ser reconhecidas. Não para permanecer nelas, mas para que possam ser simbolizadas, elaboradas e, pouco a pouco, encontrar outro lugar na história de quem as viveu.
Porque existem lutos que ninguém vê.
Mas isso não significa que doam menos.

Por trás de um comportamento, quase sempre existe uma história que ainda não encontrou palavras.Quando olhamos apenas pa...
06/08/2026

Por trás de um comportamento, quase sempre existe uma história que ainda não encontrou palavras.
Quando olhamos apenas para o que fazemos, perdemos a oportunidade de compreender por que fazemos. A repetição não acontece por acaso. Ela costuma apontar para um conflito que insiste em retornar, buscando uma forma de ser escutado.
Na clínica, a pergunta não é apenas “como mudar?”, mas “o que esse comportamento está dizendo sobre a sua relação com o desejo, com a falta e com a sua história?”.
Enquanto o sentido permanecer oculto, a repetição tende a continuar. Quando algo pode ser simbolizado e colocado em palavras, novas possibilidades começam a surgir.

Quantas vezes você se pega vivendo no próximo minuto, no próximo projeto ou no cenário que ainda nem aconteceu?A nossa m...
05/08/2026

Quantas vezes você se pega vivendo no próximo minuto, no próximo projeto ou no cenário que ainda nem aconteceu?
A nossa mente costuma negociar o presente em troca de uma promessa de alívio ou de realização futura. Criamos a fantasia de que, quando chegarmos lá, naquela meta, naquela estabilidade ou naquele encaixe perfeito, finalmente poderemos respirar.
O problema dessa corrida é que o preço cobrado é o desinvestimento na nossa própria experiência atual. Quando a ansiedade pelo que virá sequestra a nossa atenção, passamos a habitar um lugar fantasmático, ignorando os pequenos detalhes, os afetos disponíveis e as nuances do que está diante de nós agora.

Tem silêncios que repousam como o mar depois da tempestade. E há silêncios que aprisionam, construídos pouco a pouco por...
04/08/2026

Tem silêncios que repousam como o mar depois da tempestade. E há silêncios que aprisionam, construídos pouco a pouco por tudo aquilo que um dia não pôde ser dito.
Algumas pessoas não se calam porque não têm o que dizer. Calam porque, em algum momento da vida, sentir foi demais, desejar foi perigoso e existir pareceu ocupar espaço demais. Então aprendem a diminuir a própria presença, a esconder a dor atrás de um sorriso e a transformar a ausência de palavras em abrigo.
Mas o que não encontra voz continua vivendo. Habita o corpo, atravessa os sonhos, aparece na angústia, nas escolhas repetidas e naquele vazio que insiste em pedir um nome.
Talvez seja justamente quando a palavra encontra um lugar seguro que a vida também começa a encontrar o seu. Porque existir não deveria ser um ato de coragem, mas de possibilidade.

Na terapia, repetir não é retroceder. Às vezes, é justamente voltando ao mesmo lugar que algo novo pode finalmente ser d...
03/08/2026

Na terapia, repetir não é retroceder. Às vezes, é justamente voltando ao mesmo lugar que algo novo pode finalmente ser dito, compreendido e transformado.

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Rua Eduardo Marquez, 756./B. Martins Clínica Arvorecer
Uberlândia, MG
38400442

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