01/07/2026
Recentemente, me peguei pensando em como o cuidado continua sendo uma responsabilidade que recai, principalmente, sobre as mulheres.
Quando um pai adoece, quem costuma reorganizar a própria rotina?
Quando uma mãe envelhece, quem geralmente assume as consultas, os remédios e as preocupações?
Quando há uma demanda emocional na família, quem é procurada primeiro?
Na maioria das vezes, uma mulher.
Filhas, mães, esposas e irmãs acabam ocupando esse lugar quase automaticamente. Não porque necessariamente escolheram, mas porque aprenderam, ao longo da vida, que cuidar é uma responsabilidade delas.
O curioso é que muitas mulheres nem percebem o quanto carregam.
Elas administram a casa, o trabalho, os relacionamentos, os filhos, os pais e, ainda assim, costumam sentir culpa quando precisam descansar ou colocar suas próprias necessidades em primeiro plano.
Talvez porque fomos ensinadas a valorizar tanto o cuidado oferecido ao outro que esquecemos de perguntar quem está cuidando de quem cuida.
Não escrevo isso para dizer que as mulheres não deveriam cuidar. O cuidado pode ser uma das formas mais bonitas de vínculo.
Mas me parece importante refletir sobre quando ele deixa de ser uma escolha e passa a ser uma obrigação silenciosa.
Você já sentiu que esperavam que você cuidasse de tudo?