04/08/2026
“Quem nunca aprendeu a receber amor também pode rejeitá-lo.”
Na minha prática clínica, aprendi que muitas pessoas não sofrem por falta de amor. Sofrem porque nunca aprenderam que poderiam recebê-lo sem medo.
Atendo homens e mulheres que desejam ser amados, mas, quando encontram alguém disposto a oferecer afeto, acolhimento e cuidado, acabam se afastando, desconfiando ou até sabotando a relação. À primeira vista isso parece contraditório, mas, para a psicanálise, faz muito sentido.
Sándor Ferenczi nos ajuda a compreender que as primeiras experiências afetivas deixam marcas profundas. Quando a infância foi marcada por rejeição, abandono, violência ou pelo desmentido dos próprios sentimentos, a criança aprende que o amor pode machucar. Já na vida adulta, mesmo desejando vínculos saudáveis, ela continua reagindo como se ainda precisasse se proteger.
Por isso, muitas vezes, o carinho é confundido com ameaça, a proximidade gera angústia e o afeto desperta desconfiança. Não porque a pessoa não queira amar, mas porque nunca se sentiu verdadeiramente segura para receber amor.
É por isso que acredito que a análise não ensina apenas a amar o outro. Ela também nos ajuda a reconhecer que somos dignos de sermos amados. E, quando essa experiência é construída em um ambiente de escuta, validação e acolhimento, pouco a pouco deixamos de rejeitar aquilo que, no fundo, sempre desejamos encontrar.
Psicólogo Charles José
Psicologia Clínica, Psicanálise e Sexologia.
CRP: 05/47.134
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