24/02/2026
Amar e cansar. Cuidar e querer fugir. Alegrar-se e sentir culpa.
Sentimentos ambivalentes fazem parte da maternidade — e reconhecer isso é um passo muito importante para a saúde mental materna.
A psiquiatra e psicoterapeuta Maria Tereza Maldonado já descrevia a maternidade como uma experiência profundamente transformadora, que mobiliza memórias da própria infância, expectativas sociais e conflitos internos. Amar o filho não impede a frustração, o medo ou o esgotamento. Pelo contrário: quanto maior o vínculo, maior a intensidade emocional.
A psicanalista Vera Iaconelli também nos lembra que a maternidade real não cabe no ideal romantizado. A mãe precisa nascer junto com o bebê — e esse nascimento envolve perdas, reorganizações e lutos simbólicos. Sentir ambivalência não é falha moral. É experiência humana.
E a neurociência confirma isso.
Durante a gestação e o puerpério, o cérebro materno passa por mudanças importantes em áreas ligadas ao apego, à empatia e à vigilância. Há aumento de sensibilidade emocional, alterações hormonais intensas e privação de sono. Esse conjunto favorece vínculo e proteção… mas também pode gerar irritabilidade, ansiedade, tristeza e sobrecarga.
Ou seja: amor e ambivalência coexistem no cérebro, na psique e na vida real.
O problema não é sentir ambivalência.
O problema é não poder falar sobre ela.
Quando a sociedade exige mães perfeitas, silenciosas e felizes o tempo todo, ela produz culpa, isolamento e adoecimento.
Por isso, a psicologia perinatal insiste:
👉 sentimentos ambivalentes precisam de escuta, não de julgamento.
👉 mães precisam de rede, não de cobrança.
👉 saúde mental materna é cuidado com toda a família.
Se você é mãe e está sentindo emoções confusas, intensas ou difíceis… você não está sozinha. E você não é uma mãe pior por isso.
💛 Vamos falar sobre o que ninguém fala.
👉 Compartilhe este post com uma mãe que precisa ouvir isso.
👉 Salve para lembrar que sentir ambivalência é humano.
👉 E se você precisar, procure psicoterapia — cuidar de você também é cuidar do seu filho.
Com carinho, Raíssa Mourão - Psicóloga Clínica e Perinatal