15/09/2026
Há algo curioso no julgamento: muitas vezes, ele diz tanto sobre quem julga quanto sobre quem é julgado.
É fácil observar a vida do outro de fora. Interpretar escolhas, criticar comportamentos, comentar erros e imaginar que faríamos diferente.
Difícil é lembrar que conhecemos apenas uma parte da história.
Às vezes, apontar as falhas do outro também é uma maneira de não olhar para as próprias. A crítica pode funcionar como uma defesa: enquanto o foco está no outro, não precisamos encarar aquilo que nos incomoda em nós mesmos.
E talvez exista uma pergunta mais interessante do que “por que essa pessoa fez isso?”:
Por que isso me incomoda tanto?
Nem toda crítica é projeção. Nem todo julgamento é injusto. Mas aquilo que nos mobiliza intensamente pode ser um convite à reflexão.
Porque ninguém é tão perfeito quanto parece — principalmente quando observado de longe.
Antes de julgar a história de alguém, talvez valha olhar um pouco para a própria.