10/09/2026
Outro dia me perguntaram como é ouvir tantas histórias diferentes no mesmo dia.
Fiquei pensando nisso e resolvi vir contar para vocês.
Eu, pessoalmente, acho incrível. E vou contar por quê.
Não é só ouvir. Aí está uma parte importante do trabalho: eu não ouço apenas, eu sinto.
As pessoas que atendo sabem como isso acontece. Enquanto me contam uma história, vou enxergando a cena na minha cabeça. Tenho as imagens das pessoas, dos lugares, das situações. Quando preciso retomar alguma coisa depois, anoto uma palavra, uma frase.
Mas é muito mais do que ouvir o que está sendo contado.
Eu sinto o meu paciente.
Percebo as expressões, as mudanças no tom de voz, o olhar, os gestos, as pausas. Percebo aquilo que aparece e também aquilo que ainda não consegue ser colocado em palavras.
E isso acontece de uma maneira muito natural. Quando percebo, já estou com todos os meus sentidos voltados para aquela pessoa, completamente presente naquele momento.
Acredito que esse sentir também seja fundamental para a construção do vínculo terapêutico. A pessoa vai percebendo que está sendo verdadeiramente vista, escutada e acolhida.
Essa escuta vai sendo construída com estudo, experiência e muitos anos de clínica, mas também tem algo muito humano: estar inteira diante de quem está ali.
Então, a resposta para aquela pergunta é essa:
Eu não ouço histórias, eu as sinto. E é nessa sensação tão importante que a terapia acontece.
E fiquei curiosa: o que faz você sentir que alguém está realmente presente quando conversa com você?