17/06/2026
Eu sonhei com um segundo parto domiciliar.
Quem viu o vídeo do parto do meu primeiro filho sabe o quanto foi maravilhoso — e o quanto eu desejava viver aquela experiência pela segunda vez.
Mas a gestação me ensinou, mais uma vez, que parto não é só sobre planejar, se preparar, controlar. É sobre atravessar o real.
Uma diabetes gestacional descompensada, mesmo com dieta e atividade física, transformou minha gestação em alto risco. O parto domiciliar planejado deu lugar a uma possibilidade difícil pra mim: indução… talvez cesariana?
Mas eu entrei em trabalho de parto justamente no dia em que iniciaríamos a indução mecânica, com 39 semanas.
Laís nasceu de parto natural, no hospital. E aquilo que eu imaginei como um retorno rápido para casa virou desconforto respiratório transitório, 24 horas de UTI, icterícia e 6 dias de internação.
Foi diferente do que eu sonhei.
Mas não foi menor.
Entre o parto ideal e o parto real, nasceu Laís e a minha vida se coloriu de novo, depois de uma perda e tempestade, veio a minha arco-íris.
E com ela, nasceu também uma nova versão de mim: mais inteira, mais humilde diante da vida e ainda mais convicta de que parir também é aprender a soltar, a se entregar para o possível.
Meu parto não foi como eu planejei.
Mas foi profundamente meu.
Foi mais dolorido.
Mas foi igualmente transformador.
Porque o segredo não é que parto é dor.
O segredo é que somos muito mais fortes do que imaginamos.
Somos mulheres.
E, quando chega a hora, a força nos encontra.