29/08/2024
Hoje meu pai completaria 79 anos.
Minha mente consciente havia esquecido desta data. Às vezes me ocorria mas logo eu esquecia, em uma vã tentativa de defesa de sofrer. Isso não era consciente. Só sei que foi assim... FIcava me convencendo de que não sou boa de guardar datas.
Mas uma outra parte inconsciente de alguma forma continuou me lembrando sem eu me dar conta do que estava acontecendo. Passei dias sentindo um vazio estranho, uma sensação de solidão que não condizia com minha fase de vida, uma vontade de comer tudo o que tinha pela frente, sem saber porquê.
Hoje no Pilates meu corpo contou que o tórax estava fechado. E minha sábia e sensível fisioterapeuta gentilmente me falou que isso era luto... Interessante o quanto a gente sabe, mas esquece quando acontece conosco.
O choro foi inevitável. Sentido... De uma saudade que nunca acaba.
É interessante como se dá o luto. Já atravessei todas as fases (negação, raiva, barganha, tristeza e aceitação) há algum tempo. Mas o que existe agora então?
Em dois meses faz 10 anos que ele se foi.
Meu pai, meu amigo...
A dor intensa da perda não existe mais.
Mas uma saudade profunda permanece.
E a tristeza que emerge em datas específicas está muito presente hoje.
E o que fazer?
Deixar que ela esteja presente.
Ficar com a tristeza e dar espaço para ela.
Chorar o que tiver que chorar.
É então que ela me lembra do amor imenso que sinto pelo meu pai. Me faz ser grata pelo tempo que estive com ele, do quanto aprendi, do quanto me sentia segura e amada.
E então o vazio já não está mais vazio.
E consigo voltar para o presente, podendo receber o carinho e o acolhimento dos que amo e que me amam.
E assim a gente segue.
Encontrando paz no que parecia caos...