20/03/2026
A interpretação dos sonhos de Freud (1900) e a interpretação dos sonhos hoje é à mesma maneira?
Freud inventou um método para abordar o Inconsciente (aquilo que está fora da consciência e implica os modos de viver de um sujeito) e nomeou psicanálise.
Uma das vias para se ter acesso ao inconsciente é a dos sonhos, ou seja, algo que ocorre quando se está em um estado de consciência alterado, durante o sono.
Freud não inventou a interpretação dos sonhos! A psicanálise é uma das maneiras, um como, uma lupa, de se interpretar os sonhos, ou seja, há outras maneiras de ler o sonho que não a psicanálise.
O que nos interessa é se na psicanálise hoje, no século XXI, interpretamos os sonhos da mesma maneira de Freud, nos servindo do mesmo instrumental de 1900?
O que há de novo hoje e que tem consequências para a vida dos sujeitos e que não havia no século XX?
As consequências da virtualidade (IA, Touch screen, Apps onde antes era papel e gente, algoritmos que consomem o tempo) a novidade?
A presença ausente dos corpos em reuniões, consultas médicas e psíquicas, trabalhos administrativos, educação e ensino mudam algo na subjetividade? Na maneira como pensamos, sentimos e lidamos com as coisas?
Esta foi uma hipótese que me ocorreu hoje após a Seção Clínica da , na qual estive presente no virtual e de corpo ausente.
A relação com os objetos nesta presença virtual muda a maneira como se subjetiva cada experiência própria? A presença em potência em qualquer lugar requer outras maneiras de interpretar os sonhos?
Se em 1900 era impossível dois corpos ocuparem o mesmo espaço ao mesmo tempo, na virtualidade há milhares de presenças ausentes simultaneamente, inclusive tornou-se possível estar em dois espaços ao mesmo tempo!
O que a virtualidade implica da noção do inconsciente e , por conseguinte, na maneira de interpretar os sonhos em uma análise no século XXI?