23/07/2026
CUSTO OCULTO.
Essa é uma tecla que eu bato há anos, dentro do ambiente corporativo.
Absenteísmo a gente sabe medir. Falta, afastamento, substituição, isso tudo tem número, tem planilha, tem nome. O prejuízo aparece.
Mas o burnout? Você já parou pra fazer essa conta?
Eu penso assim, se o burnout corta a produtividade de alguém pela metade, é como se metade do salário daquela pessoa fosse pago, e jogado no lixo. Todo mês. E ninguém vê isso em nenhuma linha do balanço.
Tem um detalhe que incomoda ainda mais. Na maioria das vezes essa pessoa continua lá, presente, tentando trabalhar, só que sem entregar o que entregaria numa condição normal. Isso tem nome, presenteísmo. E é um prejuízo silencioso.
Um estudo da Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, de Hyeda e outros pesquisadores, em 2011, mostrou que profissionais com burnout perdem até 42% da produtividade por presenteísmo. Quase o dobro de quem não tem a síndrome.
E agora vem o ponto que eu acho que precisa ser dito sem rodeio. Ter uma pessoa adoecida na equipe não é só um problema dela. É uma responsabilidade do gestor. Quem lidera o time é quem constrói, ou destrói, as condições de trabalho que levam alguém ao burnout. A queda de produtividade daquele colaborador começou muito antes, na forma como ele foi gerido.
Por isso eu insisto tanto que liderança não é soft skill. É estratégia. Gestor despreparado forma equipe adoecida, equipe adoecida gera prejuízo, e esse prejuízo tem nome de gestão, não de fase ruim do colaborador.
Empresa que não cuida da saúde mental do time, e não capacita quem lidera esse time, não está economizando. Está pagando a conta inteira, e recebendo metade do troco.