18/07/2026
Os biomarcadores para a doença de Alzheimer representam um dos maiores avanços da neurologia nas últimas décadas. Hoje, conseguimos identificar alterações biológicas relacionadas à doença com uma precisão muito maior do que no passado.
Mas existe um ponto fundamental que precisa ser esclarecido: esses exames não são indicados para rastrear pessoas saudáveis.
Recebo com frequência a pergunta:
Doutora, posso fazer um exame de sangue para saber se vou ter Alzheimer?
Na maioria das vezes, a resposta é não.
Os biomarcadores — seja por exame de sangue, análise do líquor (LCR) ou PET amilóide— devem ser solicitados após uma avaliação médica criteriosa**, principalmente quando há suspeita de Comprometimento Cognitivo Leve (CCL) ou doença de Alzheimer em fase inicial, e quando o resultado pode aumentar a certeza diagnóstica, auxiliar na definição do tratamento e orientar a conduta.
Além disso, um biomarcador positivo não significa que a pessoa tenha demência nem que inevitavelmente irá desenvolvê-la. Esses exames identificam alterações biológicas compatíveis com a doença de Alzheimer, mas não conseguem prever, isoladamente, como cada pessoa irá evoluir.
A trajetória clínica depende de diversos fatores, como idade, reserva cognitiva, saúde vascular, estilo de vida e da presença de outras doenças cerebrais.
Na medicina, o desafio não é solicitar mais exames. É saber quando eles realmente fazem diferença para o paciente.
🧠 Você já conhecia a diferença entre um biomarcador positivo para Alzheimer e o diagnóstico de demência?
Dra. Gabriela Bortolon
Geriatra titulada pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG)
CRM-ES 13.971 | RQE 9.159