27/05/2026
Certo dia, um amigo me perguntou:
“Qual foi sua maior aventura?”
Prontamente respondi:
— Ser mãe.
Ele retrucou:
— Mas estou falando de aventura mesmo.
Reafirmei, convicta:
— Sim, eu também estou.
A palavra “aventura” tem origem no latim *adventura* e significa, literalmente, “o que está por vir”.
Nada que eu consiga hoje vislumbrar suscitaria em mim tamanha ruptura com a previsibilidade quanto me lançar à experiência de gerar um ser simbiótico a mim, mas que, ainda assim, será “outro” — cedo ou tarde, descolado de mim.
Um ser que escancara meus maiores temores, defeitos e virtudes. E, mesmo despida, exausta e à flor da pele, me debruço, inebriada pelo cuidado mais genuíno, pelo amor mais verdadeiro.
Foi o pequeno caos desta manhã que, neste momento, motivou este registro. Aos espectadores, o dia de hoje pode parecer apenas uma noite mal dormida, um mini surto, uma conversa sincera e um dia que seguiu normalmente.
Para nós dois, é um vínculo invisível que se forma, que nos une visceralmente, prepara-o para o inevitável descolamento e me lança ao meu mundo interno, em eterna (re)construção.