Laize.psi

Laize.psi Psicóloga | CRP-16/3178
Vitória-ES
Psicoterapia para adultos
Pós-graduanda em Psicologia Biodinâmica (IBPB) e Psicologia Corporal (Inst. Reichiano)

Tem coisas que não vêm em palavras, nem em explicações bem organizadas. Vêm em gestos. Em mãos que sabem o que fazer ant...
26/04/2026

Tem coisas que não vêm em palavras, nem em explicações bem organizadas. Vêm em gestos. Em mãos que sabem o que fazer antes mesmo da gente entender o que está sentindo. Vêm no cuidado que se repete, quase como um ritual silencioso, atravessando gerações.

Na minha família, isso sempre teve gosto de chá de boldo. Amargo na boca, daqueles que fazem a gente franzir o rosto antes mesmo do primeiro gole. Mas vinha em xícara conhecida, geralmente acompanhada de um “vai melhorar”, dito com uma certeza que não se explicava, se sentia.

Era para dor de estômago, sim. Para o mal-estar depois de um dia difícil, também. Mas, olhando de longe, hoje, parece que nunca foi só sobre isso. Era sobre colo. Sobre alguém que percebia antes da gente que algo não estava bem. Sobre o cuidado que não pedia autorização para existir. Sobre a presença que ficava ali, por perto, esperando o efeito do chá ou talvez garantindo que ele acontecesse.

Porque, no fundo, o que curava nunca foi exatamente o boldo. Era o jeito de preparar, o olhar atento, o afeto que envolvia tudo isso, como se dissesse, sem precisar de palavras: “você não está sozinho nisso que está sentindo”.

Talvez seja por isso que, mais tarde, a gente reconheça esse mesmo lugar em outros espaços da vida. Na clínica, por exemplo. Ali também existe um certo “amargor”: o de olhar para si, de tocar em feridas antigas, de nomear dores que, por muito tempo, ficaram sem palavra. Nem sempre é confortável. Às vezes, faz franzir o rosto por dentro.

Mas há uma presença. Um psi que escuta com atenção, que sustenta o silêncio, que percebe o que ainda não foi dito. Um olhar que não invade, mas também não se ausenta. Um cuidado que não apressa, mas acompanha.

E, pouco a pouco, algo começa a se reorganizar.
Não porque alguém “resolveu” a dor, mas porque ela pôde, enfim, existir em um espaço onde há acolhimento suficiente para que seja sentida e, quem sabe, transformada.

Como o chá de boldo, a clínica não é sobre evitar o desconforto. É sobre oferecer um lugar onde ele possa ser atravessado com cuidado.

(Continua nos comentários)

Nem todo sofrimento aparece por fora. Há dores que atravessam justamente quem aprendeu a sustentar tudo, a resolver tudo...
19/04/2026

Nem todo sofrimento aparece por fora. Há dores que atravessam justamente quem aprendeu a sustentar tudo, a resolver tudo, a seguir funcionando.

Na vida amorosa, nem sempre competência e controle dão conta do que se rompe. Porque certas feridas tocam lugares mais antigos: falta, desejo, abandono, repetição.

Na clínica, há espaço para acolher o que desaba em silêncio e reconstruir-se de um modo mais verdadeiro.

Laize Dalla Bernardina Monteiro
Psicóloga | CRP-16/3178
Vitória-ES
Psicoterapeuta de adultos e casais
📱WhatsApp: 27 99234-7549 (Link na Bio)
🌐 https://laizemonteiro.com.br

11 de abril. 39 anos.Há algo nos ciclos que não pede pressa. Pede presença.Ao longo da vida, vamos sendo atravessados: p...
11/04/2026

11 de abril. 39 anos.

Há algo nos ciclos que não pede pressa. Pede presença.

Ao longo da vida, vamos sendo atravessados: por alegrias que expandem o peito, por dores que contraem, por encontros que aquecem e por ausências que ressoam no corpo inteiro. Nada disso é supérfluo. Tudo isso nos constitui.

Na perspectiva de Wilhelm Reich, não existe vida psíquica dissociada do corpo. Cada emoção que não encontra passagem se inscreve, se organiza, se fixa. E cada emoção que pode ser vivida, de fato vivida, devolve ao corpo a sua capacidade de pulsar.

Pulsar: expandir e contrair. Abrir e recolher. Sentir e elaborar.

Talvez amadurecer tenha menos a ver com controlar o que sentimos e mais com sustentar essa pulsação sem nos anestesiar diante dela.

A vida não promete constância, mas oferece movimento. E é nesse movimento, às vezes suave, às vezes intenso, que algo em nós pode continuar vivo.

Hoje, mais do que celebrar respostas, celebro a possibilidade de sentir. De acolher o que vem. De cuidar para não interromper o fluxo. Porque, no fundo, é isso que mantém a vida acontecendo dentro da gente.

Bora! ✨

Laize Dalla Bernardina Monteiro
Psicóloga | CRP-16/3178
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#ᴀᴜᴛᴏᴄᴜɪᴅᴀᴅᴏ

Às vezes, o que chamamos de amor começou como adaptação. Cuidar virou linguagem — e, sem perceber, vínculo passou a sign...
08/04/2026

Às vezes, o que chamamos de amor começou como adaptação. Cuidar virou linguagem — e, sem perceber, vínculo passou a significar função.

Na vida adulta, isso pode se repetir: relações onde se tenta consertar, sustentar, reparar… como se, finalmente, pudesse dar certo.

O que em você aprendeu cedo demais — e ainda está tentando encontrar um outro desfecho?

Laize Dalla Bernardina Monteiro
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Algumas mulheres aprenderam muito cedo a sustentar mais do que lhes caberia.A psicoterapia pode ser o espaço onde essa h...
01/04/2026

Algumas mulheres aprenderam muito cedo a sustentar mais do que lhes caberia.

A psicoterapia pode ser o espaço onde essa história finalmente pode encontrar escuta.

Laize Dalla Bernardina Monteiro
Psicóloga | CRP-16/3178
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Às vezes, a clínica começa fora dela.Por esses dias, fui fazer cópias da chave de casa. Três. Voltei com três tentativas...
22/03/2026

Às vezes, a clínica começa fora dela.

Por esses dias, fui fazer cópias da chave de casa. Três. Voltei com três tentativas que não abriam porta nenhuma. Uma não entrava, outra travava, a terceira até girava… mas não o suficiente para cumprir seu destino: abrir e fechar.

Voltei para casa irritada, falando alto sobre o retrabalho, o tempo perdido, o desgaste. Aquilo que parece pequeno, mas que, no cotidiano já apertado, pesa.

No meio da pressa de voltar ao chaveiro, algo me atravessou: o rosto de quem me atendeu. Um rapaz jovem, com um semblante cansado, distante, como se não estivesse exatamente ali. E, de repente, a cena deixou de ser só sobre uma chave mal feita.

Fiquei pensando no que acontece quando alguém precisa fazer algo sem conseguir se reconhecer naquilo que faz. Quando o trabalho perde o contorno de ofício e vira apenas repetição. Quando o gesto deixa de ser artesanal — no sentido de implicado, presente — e passa a ser quase automático, esvaziado de sentido. Uma cópia que não funciona também fala disso.

Na clínica, a gente aprende a sustentar dois olhares ao mesmo tempo: um que acolhe o singular — a história, o gesto, a escolha de cada um — e outro que amplia, que situa esse sujeito no mundo, nos atravessamentos sociais, nas condições concretas de existência.

Nem tudo é só “falta de cuidado”. Às vezes, é excesso de cansaço. Excesso de desalento. Excesso de desencontro entre o que se é e o que se precisa fazer para sobreviver.

E isso não está só no outro. Também nos atravessa. Na pressa, no acúmulo, na sensação constante de estar devendo tempo, energia, presença. Na dificuldade de sustentar um fazer com sentido quando tudo ao redor empurra para a urgência, para o automático, para o “dar conta”.

Ainda precisava que a chave funcionasse — porque a vida concreta pede isso. Mas já não era mais possível olhar aquela cena como antes.

Voltei ao chaveiro como quem ainda acredita no ajuste fino. Ele tentou de novo — limou, refez, insistiu — mas o que já não abria, agora sequer ensaiava movimento. Nenhuma das chaves girava. Nenhuma encontrava passagem.

(Continua nos comentários)

A traição pode produzir um abalo profundo na forma como alguém se reconhecia dentro da relação.Mais do que responder ao ...
15/03/2026

A traição pode produzir um abalo profundo na forma como alguém se reconhecia dentro da relação.

Mais do que responder ao que o outro fez, muitas vezes é preciso escutar o que essa ruptura mobilizou sobre si.

Que lugar foi perdido nessa experiência?

Laize Dalla Bernardina Monteiro
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18/01/2026

Neste vídeo te convido a uma reflexão sobre aquela conhecida frase 'segunda-feira eu começo'. Quem nunca se percebeu adiando uma ideia ou um projeto?

Confere aí!

Laize Dalla Bernardina Monteiro
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Às vezes é preciso ganhar distância para enxergar melhor — como numa vista panorâmica, onde a cidade só se revela quando...
10/01/2026

Às vezes é preciso ganhar distância para enxergar melhor — como numa vista panorâmica, onde a cidade só se revela quando a gente se afasta um pouco.

No recesso, Belo Horizonte me lembrou disso: o valor da pausa, do silêncio e do intervalo onde algo pode se reorganizar.

A pausa não é ausência de movimento; é o tempo em que o inconsciente trabalha sem pressa, faz ligações, encontra palavras que ainda não tinham sido ditas.

Na próxima segunda-feira retorno ao consultório — e com ele, a possibilidade de retomarmos o percurso de olhar para dentro, nomear o que insiste, e construir novos sentidos para o que dói, repete ou cala.

Se 2026 começa aí dentro, no seu território psíquico, eu posso te acompanhar nessa travessia.

Iniciar uma análise é se dar um tempo — um tempo seu, um tempo que transforma.

Vamos?

Laize Dalla Bernardina Monteiro
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14/12/2025

Antes de pedir um ano diferente, vale olhar para o que ainda se repete em nós.

O novo começa quando conseguimos elaborar o que dói, nomear o que falta e cuidar do que precisa de espaço.

A mudança externa só acontece quando algo dentro da gente também se move.

Laize Dalla Bernardina Monteiro
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#2026

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