15/12/2022
O sistema linfático compõe-se de uma rede de vasos que leva para a corrente sanguínea o excesso de fluidos dos tecidos e dos órgãos (linfa). O processo de chegada dos fluidos aos tecidos é mais intenso que o da saída. Assim, há excesso de líquido no espaço intersticial (entre as células), que é, então, reabsorvido pelos capilares linfáticos. Portanto, o fluido dos tecidos que não volta aos vãos sanguíneos é drenado para os capilares linfáticos existentes entre as células.
A drenagem linfática tem como objetivo aumentar o volume e a velocidade da linfa a ser transportada pelos vasos e ductos linfáticos, por meio de manobras que imitem o bombeamento fisiológico. Ela tem influência direta no aumento da oxigenação dos tecidos, favorece a eliminação de toxinas e metabólitos, aumenta a absorção de nutrientes por meio do trato digestório, aumenta a quantidade de líquidos a ser eliminada e melhora as condições de absorção intestinal, dentre outras funções.
Em consequência disso, tem-se: redução do edema, maior hidratação e nutrição celular, maior rapidez na cicatrização de um ferimento (em consequência de uma melhor irrigação sanguínea decorrente da diminuição do edema) e reabsorção mais rápida de hematomas e equimoses.
A drenagem linfática pode ser manual ou mecânica, sendo que seus benefícios são semelhantes. Por ser uma técnica de massagem específica, a manual deve ser realizada por profissionais devidamente habilitados. Trata-se de uma técnica composta por manobras suaves, lentas, monótonas e rítmicas feita com as mãos, que devem obedecer ao trajeto do sistema linfático superficial. Ela tem por objetivo a redução de edemas e linfedemas (que surgem em situações pós-traumáticas, pós-operatórias, de distúrbios circulatórios venosos e linfáticos de diversas naturezas, dentre outras) e a prevenção ou melhoria de algumas de suas consequências.
Esta técnica diferencia-se de outros métodos de massagem, especialmente da clássica, por não produzir vasodilatação arteriolar superficial (hiperemia) e por utilizar pressões manuais extremamente suaves e lentas. Portanto, massagem e drenagem são duas técnicas distintas. Assim, a drenagem linfática jamais deve produzir dor e eritema, pois este segundo é decorrente do aumento do aporte sanguíneo local. Pressões excessivas são capazes de lesar os capilares linfáticos, que são muito frágeis. Por isso, é preciso ter atenção, pois várias técnicas de massagem são utilizadas de maneira inadequada e denominadas, falsamente, de drenagem linfática manual, causando prejuízos aos pacientes.
A ideia, muito difundida há 30 anos, de amassar os nódulos e as placas de celulite por meio de “beliscões energéticos”, provocando ruptura de vasos sanguíneos, é prova de um incalculável obscurantismo. Há quase 100 anos, já se descrevia que as técnicas de massagem dos tecidos superficiais com celulite e gordura localizada devem ser realizadas de forma leve, superficial, branda e agradável. Sem se esquecer de respeitar sua integridade para não produzir hematomas, equimoses e, tampouco, dor excessiva, uma vez que a ruptura de fibras elásticas e a formação de processos inflamatórios pioram ainda mais o estado dos tecidos comprometidos.
Somando-se a este panorama são descritas na literatura complicações clínicas graves do uso inadequado e inadvertido de técnicas de massagem tais como hematomas hepáticos, necrose de gordura subcutânea, deslocamento uretral, embolização arterial renal, dentre outras. Devemos salientar que outras técnicas de massagem e terapias manuais são indicadas como coadjuvantes e complementares para o tratamento
Indicações da drenagem linfática: tecidos edemaciados, circulação sanguínea de retorno comprometida, edema no período gestacional e tensão pré-menstrual, tratamento de pré e pós-cirurgia plástica, tratamento pós-lipoaspiração, celulite, cicatrizes hipertróficas e queloidianas, relaxamento de pessoas tensas, dentre outras indicações.
Dentre as contraindicações estão: infecções agudas, flebites e tromboflebites, neoplasias malignas (câncer) diagnosticadas e em atividade, insuficiência cardíaca, hipotensão arterial, hipertireoidismo não tratado, asma brônquica grave e não tratada e febre