27/07/2026
Você sabe, racionalmente, que está seguro.
Mas basta um olhar, um tom de voz ou uma situação parecida para o coração acelerar, a respiração mudar e o corpo entrar em alerta.
Isso acontece porque o trauma não é definido apenas pelo evento vivido.
Ele também está relacionado à forma como o sistema nervoso conseguiu — ou não — processar aquela experiência.
Quando uma situação é intensa demais, nosso organismo ativa respostas automáticas de sobrevivência: lutar, fugir, congelar ou colapsar. Em alguns casos, essas respostas permanecem incompletas, como se o corpo ainda esperasse o momento certo para finalizar aquilo que precisou interromper para sobreviver.
É nesse ponto que a Experiência Somática oferece uma perspectiva diferente.
Em vez de reviver repetidamente a dor, ela convida o organismo, de forma gradual e segura, a reconhecer seus sinais internos e permitir que essas respostas sejam reorganizadas.
Esse processo é chamado de renegociação do trauma.
Renegociar não signif**a apagar o passado.
Signif**a oferecer ao corpo uma nova experiência: a de perceber que o perigo terminou e que ele não precisa mais permanecer em estado constante de defesa.
Quando o sistema nervoso encontra segurança, ele amplia sua capacidade de escolha.
E, pouco a pouco, o presente deixa de ser vivido como se ainda fosse o passado.
Porque a cura do trauma não acontece quando esquecemos o que vivemos.
Ela começa quando o corpo aprende que já não precisa sobreviver o tempo todo.
Lívia Entringer | Psicóloga
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