03/06/2026
Às vezes eu paro para pensar sobre quantas pessoas passaram pela minha vida ao longo desses anos. É curioso porque, para quem olha de fora, podem ser apenas números. Dez pacientes, cem pacientes, mil pacientes, dez mil pacientes. Mas para mim nunca foram números. Sempre foram pessoas. Pessoas que chegaram ao consultório carregando suas próprias histórias, suas inseguranças, seus sonhos e suas expectativas. Pessoas que confiaram em mim em um momento importante das suas vidas.
Com o passar do tempo, percebi que o maior impacto do nosso trabalho não está apenas na técnica, na cirurgia ou no resultado final. Está na confiança que recebemos. Afinal, ninguém entrega um sonho nas mãos de alguém sem acreditar que será cuidado da melhor forma possível. E essa responsabilidade nunca diminui, não importa quantos anos de experiência você tenha ou quantos pacientes já tenha atendido.
Cada pessoa que passa pelo consultório deixa algo. Algumas deixam uma frase, outras um abraço, outras uma mensagem inesperada meses depois contando como estão vivendo uma fase mais feliz da vida. São momentos assim que nos fazem lembrar que nosso trabalho vai muito além da medicina. Nós lidamos com autoestima, com confiança e, muitas vezes, com capítulos importantes da história de alguém.
Talvez por isso eu tenha tanta dificuldade de enxergar pacientes como estatísticas. Porque por trás de cada consulta existe uma vida inteira. Existe uma família, uma trajetória, desafios, conquistas e sonhos. E saber que, de alguma forma, participei de uma pequena parte dessa caminhada é algo que carrego com enorme gratidão.
No fim das contas, quando olho para trás, não me impressiono com a quantidade. O que realmente me impressiona é a quantidade de histórias que tive o privilégio de conhecer e a confiança que tantas pessoas depositaram em mim ao longo dessa jornada.