13/06/2026
Julia Bastos | Ecologia Feminina -
não dá teu peito para os pregadores de abismo.
tem gente fazendo morada no medo,
fazendo mercado do susto,
fazendo discurso de fim
para vender paralisia em prestações.
não compra.
o mundo sempre teve ruína e rumor,
mas também teve quintal cheio de gente,
pão crescendo em fogo baixo,
mão estendida no meio do caos,
criança inventando futuro no chão da sala.
olha direito.
entre uma manchete e outra,
a vida segue singela e valente,
costurando amanhãs
com linha forte e paciência.
não deixa o terror
roubar tua imaginação.
quem perde a imagem do possível
começa a chamar qualquer cela de casa,
qualquer cinza de destino
e o desânimo de lucidez.
teus antigos atravessaram noites maiores
para que em você
a manhã ainda tivesse endereço.
honra isso.
rega teus sonhos sem pagar penitência.
planta projetos em terra dura.
acende desejo em tempo escuro.
faz futuro com raiz,
faz caminho com memória,
faz coragem com ternura.
esse barulho todo não anuncia o fim.
é só o velho mundo
rangendo para cair.
e enquanto ele range,
seguimos construindo
nossas utopias.
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