10/09/2019
Suicídio: precisamos falar sobre isso
Instituído pela Associação Internacional para Prevenção do Suicídio (IASP) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, o dia 10 de setembro marca o esforço em se desmistificar o tema e mostrar à sociedade que o suicídio pode ser evitado.
Aqui no Brasil desde 2014 o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) realizam diversas ações durante o mês de setembro buscando dar maior visibilidade ao tema. Esse movimento recebeu o nome de Setembro Amarelo e é por meio dele que este grande tabu tem sido enfrentado ao se discutir, esclarecer e conscientizar às pessoas acerca desse grande problema de saúde pública.
Dados do Primeiro Relatório Global para Prevenção do Suicídio (2014) revelam que a cada ano mais de 800 mil pessoas cometem suicídio no mundo todo, o que equivale a UMA MORTE a cada QUARENTA SEGUNDOS. E para cada morte por suicídio outras tantas pessoas atentam contra a própria vida. No Brasil, são quase 12 mil mortes registradas no ano de 2012, cerca de 30 por dia, números esses que superam os números das vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer e que crescem significativamente, principalmente, entre os jovens.
De acordo com os dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, esse aumento nos índices de suicídio pode ser observado também no município de Votuporanga (SP) que registrou 3 mortes por suicídio no ano de 2010 e em 2014 foram registradas 7 mortes.
Assim, se faz necessária a discussão e o esclarecimento de alguns mitos que envolvem o suicídio e que dificultam a busca por ajuda daquele que está passando por esse momento. Dois dos mitos mais comuns e mais prejudiciais são:
Mito 1- As pessoas que ameaçam se matar não farão isso, querem apenas chamar a atenção.
A maioria dos suicidas acaba sinalizando sobre seu desejo de se matar. Negligenciar, tentar desmerecer ou invalidar a sua dor pode ser o mais perigoso erro. Portanto, a ameaça de suicídio deve ser SEMPRE levada a sério, uma vez que esse indivíduo está sob intenso sofrimento e necessita de ajuda.
Mito 2 - Não devemos falar sobre suicídio, pois isso pode aumentar o risco.
Talvez esse seja o mais grosseiro erro. Falar sobre o assunto não induzirá o indivíduo a cometer suicídio. Pelo contrário, fará com que ele se sinta acolhido por alguém que se interessa por seu sofrimento, aliviando assim a sua angústia e a tensão que esta situação gera em sua vida. Vale ressaltar que se faz importante a busca de ajuda profissional após esse momento.
O suicídio é um fenômeno complexo e muitos fatores (socioculturais, genéticos, ambientais, etc.) estão ligados à sua manifestação. Entretanto, na maioria dos casos, a existência de algum transtorno psiquiátrico (depressão, transtorno bipolar, alcoolismo e abuso/dependência de outras dr**as, etc.) é considerada um forte fator de risco para a sua manifestação. Nesse sentido, a ajuda profissional é de extrema importância para a avaliação e o manejo das ações que visam a redução dos riscos potenciais. (Por Ueliton Gonçalves).
Saiba mais em: SUICÍDIO: INFORMANDO PARA PREVENIR. Conselho Federal de Medicina (CFM). Brasília, 2014.
Que as vozes (e os silêncios) do SETEMBRO AMARELO continuem ecoando...
💛