19/06/2026
“𝐎𝐬 𝐇𝐞𝐫ó𝐢𝐬 𝐝𝐞 𝐂𝐚𝐛𝐨 𝐕𝐞𝐫𝐝𝐞”: 𝐌𝐢𝐧𝐢𝐬𝐭𝐫𝐨 𝐝𝐚 𝐒𝐚ú𝐝𝐞 𝐡𝐨𝐦𝐞𝐧𝐚𝐠𝐞𝐢𝐚 𝐞𝐪𝐮𝐢𝐩𝐚 𝐦é𝐝𝐢𝐜𝐚 𝐪𝐮𝐞 𝐩𝐫𝐞𝐬𝐭𝐨𝐮 𝐚𝐬𝐬𝐢𝐬𝐭ê𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐚 𝐛𝐨𝐫𝐝𝐨 𝐝𝐨 𝐧𝐚𝐯𝐢𝐨 𝐇𝐨𝐧𝐝𝐢𝐮𝐬 𝐧𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐞𝐱𝐭𝐨 𝐝𝐚 𝐫𝐞𝐬𝐩𝐨𝐬𝐭𝐚 𝐚𝐨 𝐇𝐚𝐧𝐭𝐚𝐯í𝐫𝐮𝐬
A médica infeciologista Maura Delgado, do Hospital Universitário Agostinho Neto (HUAN), que liderou a equipa, o médico João Paulo Brito, do Centro de Saúde de Ponta d’Água, e o enfermeiro Arnaud Jonas Faure, também do HUAN, foram homenageados numa cerimónia simbólica realizada nesta quinta-feira, 18 de junho, pelo Ministro da Saúde, Jorge Figueiredo, em reconhecimento pelos seus atos de coragem, altruísmo e elevado sentido de missão.
Os três profissionais decidiram enfrentar uma situação sanitária complexa e de elevado risco a bordo do navio Hondius, garantindo a resposta de Cabo Verde perante uma emergência de saúde pública de dimensão internacional.
Após cumprirem um período de 42 dias de quarentena, os profissionais retomaram nesta quinta-feira as suas atividades pessoais e profissionais.
Num dos seus últimos atos enquanto Ministro da Saúde, Jorge Figueiredo destacou o papel determinante desempenhado por estes profissionais, que assumiram uma decisão pessoal de elevado compromisso, colocando-se na linha da frente para proteger a saúde pública nacional.
“Foi um ato de profissionalismo e de heroísmo. Por isso, considero-vos os meus heróis. Sabemos o quanto arriscaram as vossas vidas e desempenharam a missão de forma exemplar. Tal como os 22 atletas que representam Cabo Verde no Mundial, também vocês elevaram o nome do país e contribuíram para que fosse dada a melhor resposta possível àquela situação”, afirmou o Ministro.
Jorge Figueiredo reconheceu igualmente o empenho de todos os profissionais de saúde e das instituições envolvidas na resposta nacional ao caso do navio Hondius. No entanto, sublinhou que a distinção atribuída aos três profissionais possui um significado particular, uma vez que foram chamados a enfrentar uma situação até então desconhecida e potencialmente grave, respondendo com prontidão, responsabilidade e espírito de missão.
O governante salientou ainda que, após a intervenção no navio, os profissionais cumpriram rigorosamente os 42 dias de quarentena, permanecendo afastados das suas famílias e do convívio social, num gesto de responsabilidade para com a proteção da população cabo-verdiana.
Falando em nome da equipa, a médica infeciologista Maura Delgado recordou que, quando foram chamados para avaliar os doentes, depararam-se com uma situação de elevada complexidade clínica e epidemiológica. Segundo explicou, a prioridade absoluta foi assegurar o diagnóstico precoce, estabilizar os pacientes e implementar medidas rigorosas de proteção, de forma a evitar a propagação da doença — objetivos que foram alcançados com sucesso.
Maura Delgado referiu ainda que o período de quarentena foi cumprido com estrita observância dos protocolos de saúde pública.
Embora tenha representado um desafio exigente, a equipa compreendeu que a proteção da população e dos colegas de trabalho deveria prevalecer sobre quaisquer considerações individuais.
Recorde-se que o navio de cruzeiro MV Hondius entrou nas águas de Cabo Verde no dia 3 de abril, após a notificação, por parte de entidades sanitárias internacionais, de um surto de doença respiratória a bordo, com registo de casos graves e óbitos.
Após avaliação técnica e epidemiológica, as autoridades sanitárias nacionais decidiram não autorizar a atracação da embarcação no Porto da Praia, em aplicação do princípio da precaução e em conformidade com o Regulamento Sanitário Internacional, com o objetivo de salvaguardar a saúde pública nacional.
A embarcação transportava 147 pessoas, entre passageiros e tripulantes. Deste total, três apresentavam sintomas compatíveis com a doença, tendo sido devidamente avaliadas e assistidas pela equipa de saúde mobilizada para a operação.