27/02/2026
O modelo tradicional de tratamento do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) pode estar passando por revisão. Especialistas afirmam que a divisão rígida entre medicamentos de “primeira” e “segunda linha” já não se sustenta da mesma forma — principalmente após a publicação de uma análise que reacendeu o debate científico.
O estudo, publicado em 5 de janeiro na revista Nature Mental Health, revisou ensaios clínicos, meta-análises e dados de mundo real e concluiu que medicamentos não estimulantes, como a atomoxetina, apresentam eficácia muito próxima à dos estimulantes para uma parcela relevante dos pacientes. Especialistas sugerem ampliar as opções já no início do tratamento para reduzir a margem de erro.
No estudo, 45% dos pacientes responderam à atomoxetina, enquanto 56% tiveram bons resultados com o metilfenidato. Meta-análises indicam que os estimulantes são, em média, apenas ligeiramente mais eficazes.
Na pesquisa, outro dado relevante é o Número Necessário para Tratar (NNT), que foi de 8. Isso significa que seria preciso tratar oito pacientes com estimulantes para que apenas um apresentasse benefício adicional clinicamente relevante em relação aos não estimulantes.
As análises também mostram que até 47% dos pacientes podem ter resposta excelente aos não estimulantes e que a tolerabilidade é semelhante entre as duas classes.
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