21/08/2026
Dizem que a vida não é como é, mas sim como nós somos.
As minhas viagens de férias não foram meras viagens; foram encontros profundos comigo mesma, com a minha essência e com o que me pertence. Nenhuma das duas viagens foi uma escolha consciente minha; não eram destinos que eu escolheria no papel. Simplesmente fui sendo levada, e vivi experiências de uma profundidade avassaladora.
Ainda não consigo traduzir em palavras tudo o que vivi em Robben Island. Ainda no barco, o meu Zulu disse-me: “Estamos juntos novamente”. Como costumo dizer, não sei falar Zulu; simplesmente ouço, sinto e vou pesquisar. E quando pisei na ilha... Ufffff!
Confesso que Cape Town não é um lugar que me atraia à primeira vista. É uma cidade muito urbana, cosmopolita e europeia e eu prefiro o mato e a praia. Mas, numa conversa com o taxista, compreendi o real significado daquela terra para quem carrega uma linhagem Zulu.
Dormia como um bebé, num sono que parecia não ter fim. Senti uma paz na alma inexplicável e percebi que precisava de mudar drasticamente o meu estilo de vida e a minha rotina. Passei os melhores dias na melhor companhia do mundo: a minha.
Só ali percebi o quanto a solitude é uma necessidade visceral da minha alma.
Para terem uma ideia, a minha agência enviou todo o roteiro e eu nem sequer o li com antecedência. Apenas lia no dia anterior o que faria a seguir. Mais uma vez, fiquei convicta de que estava a ser estritamente guiada.
Num dos dias, entrei numa livraria e passei cerca de 30 minutos à procura de um livro... que nem eu mesma sabia qual era. Cada vez que me aproximava da porta para sair, o meu corpo recusava-se. O meu corpo é o meu oráculo — e eu treino pessoas para ativarem o oráculo do seu próprio corpo. Quando a minha biologia fala, eu escuto. Continuei a passear pela livraria, a olhar as prateleiras e a perguntar ao meu inconsciente o que ele procurava... Até que encontrei o livro de . Quando peguei nele, o meu corpo desmanchou-se em certeza.
A minha mente racional por vezes tenta fugir de certos chamados espirituais (RISOS), mas, como sei que sou um instrumento, eu aceito e me rendo.
Ontem, ao levantar-me, recebi um novo download, uma nova instrução: Focar na Constelação Familiar sob uma perspetiva Africana.
A própria formação em Constelação Familiar que fiz há cerca de dois anos e meio também aconteceu por alinhamento guiado. Durante este tempo, tenho constelado para um grupo muito restrito, e as minhas meninas iluminadas dizem-me constantemente: "Mentora, já chegou a hora de abrir a constelação; os guias já não podem esperar." E assim desenhei o programa sob instrução superior. No meu trabalho, eu não faço o que quero; faço o que me ordenam e orientam.
E não quero fechar esta reflexão sem falar da essência da Constelação Familiar.
A Constelação Familiar é a ciência Zulu, é a ciência dos Sangomas, é a ciência dos Tinlholos. É a ciência sistémica que visa resolver conflitos familiares e restaurar a harmonia. Existem inúmeras questões no U’nhanga que não são espirituais, mas sim sistémicas. É fundamental compreender que somos o produto da história da nossa família desde as maiores bênçãos até aos maiores traumas.
As experiências, memórias e segredos familiares condicionam a qualidade da nossa vida. Questões sistémicas chegam a ser muito mais profundas, complexas e limitantes do que a atuação de "entidades espirituais". Como escrevi num post anterior: é preciso perceber que muitos conflitos são culturais e sistémicos, e não espirituais.
Muitas de nós tornamo-nos nhangas não apenas por uma simples vocação espiritual, mas pela necessidade de resolução e inclusão dos nossos antecessores. Em África, os antepassados não morrem; eles transitam. E, após a transição, o legado de cura familiar precisa de continuar através dos vivos.
Já pararam para pensar por qual motivo a criança que recebe o nome do mais velho, nas famílias africanas, é respeitada e tratada desde bebé como a própria encarnação desse ancestral?
A maioria das coisas que sei sobre os nossos sistemas é sobre questões Africanas não li em livros; aprendi a observar, aprendi com meus guias e com meus Tinlholos.
Venho de uma família que nunca falou de tradições, onde amarrar capulana em casa era proibido filha de mãe branca e de pai assimilado que era conhecido por “ Tuga “ o meu cota negro de majacasse é a representação de um português, recentemente descobri que foi criado por padres brancos, era tão forte o desprezo que o Tuga tinha pela própria cor que escolheu mulheres brancas para assumir como esposas…
Então eu venho de uma criação assimilada (risos).
Esta obra de Credo Mutwa será a minha primeira leitura verdadeiramente Africana dentro da minha área de trabalho. Já li alguns livros daqui mas eu e você que sabemos o que sabemos sabemos que os Moçambicanos ainda estão a tatear, ainda não começaram a escrever obras que tocar a raiz e a cerne das questões sistêmicas Africanas.
Questões de traumas não podem ser atribuídos a livros que abordam apenas histórias de povos ou vivências..:
E se existir algum que escreva por favor apresentem - me, não conheço.
Não quero discutir…
Vamos ver o que o Papa Grande Credo me quer ensinar e por qual razão os meus guias me enviaram até ele. 🌿✨