27/05/2026
Não foram necessariamente as mesmas palavras.
Foi o mesmo tom de voz.
A mesma forma de se fechar quando se sente criticada.
A mesma distância quando as coisas ficam intensas.
O mesmo medo de pedir o que realmente precisa.
Ou talvez tenha sido outra coisa.
A relação que começa cheia de possibilidades e termina sempre no mesmo lugar.
A sensação de que não merece estar bem, mesmo quando está tudo bem.
E o mais estranho é que já olhou para isto.
Já tentou perceber.
Talvez até já tenha estado em terapia por causa disso.
E continua a acontecer.
Não porque lhe falta força.
Nem porque não se esforça.
Mas porque há padrões que não começaram em si.
Há dores que chegam antes de nós.
Histórias que continuam a repetir-se dentro da família, mesmo em silêncio.
Lealdades invisíveis.
Movimentos antigos que continuam a viver através de si, mesmo sem intenção.
E às vezes, o momento mais importante não é quando se pergunta:
“Porque sou assim?”
É quando começa finalmente a perguntar:
“De quem é isto, afinal?”
E talvez essa pergunta mude tudo.