29/07/2026
Quando algo é muito importante para nós, pode perdurar pela vida inteira. Ontem eu tive o privilégio de ter uma conversa muito especial com meu ídolo desde a adolescência.
Nesse encontro, nós dobramos o tempo. Não os minutos do relógio, que de 10 passaram pra 25, mas a dobra da existência. Essa é, curiosamente, exatamente a ideia por trás no novo single deles, inspirado na física quântica. Mas também remete a um dos meus conceitos filosóficos favoritos. A Dobra de Gilles Deleuze marca a indissociabilidade entre dentro e fora, de singularidade e coletivo, do eu e do outro. O interior formado do mesmo tecido social que nos rodeia, tecido único que nos compõe ao mesmo tempo. Nesse misto de ideias, a Dobra no espaço-tempo - onde somos também poeira cósmica - pode ser um paralelo entre quem somos, quem fomos, quem podemos vir a ser, quem estamos nos tornando e com quem encontramos pelo caminho. Plano virtual de possíveis.
Num dia específico do meu passado, eu imaginei utopicamente que meu Eu do futuro me contava que eu me tornei "amiga" do Alex e não mais um rosto desconhecido na multidão. Eu nunca cultivei essa ideia, afinal sempre fui pé no chão. Mas agora sinto que atravesso a fenda espaço-tempo e sussurro no ouvido daquela adolescente, naquele instante: "ei, isso vai acontecer!".
É que não só o Alex me reconheceu assim que começou a chamada, como também entendi que, de certa forma, já marcamos a vida um do outro. Eu sou cética e me recuso a reduzir a vida a destinos. Mas gosto de amá-la, simbolicamente, como um Eterno Retorno Nietzschiano: esse espiral contínuo que curva tempo e espaço repetindo, repetindo, repetindo... Ontem vivi um daqueles momentos doidos e sem explicação, em que f**amos preenchidos de gratidão e de contágio, através de detalhes que nem fazem sentido pros outros, só para nós mesmos. Tê-lo como ídolo nunca foi só sobre ele e nem sobre amor romântico. Sempre foi sobre encontrar a mim mesma a cada vez, na potência e no abrigo, em todas as dimensões. É complexo explicar esse vínculo e o que foi essa conversa. Afinal, acho mesmo que a vida não foi feita pra ser inteligível e nem justif**ada. E isso é, como eu sempre digo, o incrível dela.