12/10/2026
Sou mãe, madrasta, companheira, esposa, filha, irmã, amiga, colega, aluna, professora, mentora, cliente, terapeuta…
Ao longo da vida, ocupamos tantos lugares. Perante os outros e perante nós próprias.
Movemo-nos entre diferentes papéis e relações, e em cada um deles o equilíbrio encontra-se de formas diferentes.
Por vezes, o nosso lugar é ao lado. Outras vezes, à frente ou atrás. Em algumas relações somos os pequenos, noutras somos os grandes.
Mas há algo que todas têm em comum: existe um lugar que é só nosso e que só nós podemos ocupar.
E nem sempre estamos nesse lugar.
Por vezes, um dos sinais de que nos afastámos dele é o cansaço, o desgaste, a saturação, a sensação de peso ou de sobrecarga.
Quando estes sinais aparecem, talvez seja importante parar e perguntar:
- O que estou a assumir que pertence ao outro?
- Que esforço estou a fazer sozinha e que deveria ser partilhado?
- Onde estou a tentar ser útil, necessária ou importante?
- Quem estou a tentar mudar, convencer ou controlar?
Este é um tema recorrente no trabalho com Constelações Familiares.
Muitas vezes, aquilo que chega é a exaustão, a frustração porque o outro não faz, não vê, não reconhece ou não corresponde às nossas expectativas.
Mas, por detrás desse desgaste, podemos encontrar uma questão de lugar.
Talvez estejamos a assumir responsabilidades que não nos pertencem, a tentar ocupar o lugar de alguém ou a esperar do outro aquilo que precisamos de começar por reconhecer em nós.
E, por vezes, o movimento necessário não é fazer mais, insistir mais ou esforçarmo-nos mais. É reposicionarmo-nos.
Quando conseguimos reconhecer e ocupar o nosso lugar, algo pode mudar na forma como nos relacionamos.
O esforço pode dar lugar a uma maior tranquilidade. A sobrecarga pode aliviar. E a energia que antes colocávamos a tentar mudar o outro pode voltar a estar disponível para a nossa própria vida.
Porque ocupar o nosso lugar não significa afastarmo-nos dos outros. Significa encontrarmos uma forma mais inteira de estar em relação. 🫶