30/08/2026
Há um tempo para saborear. E há um tempo para deixar ir.
Nem tudo o que amamos nos pertence. Nem tudo o que amamos permanece. Nem tudo o que desejamos acontece como imaginámos.
Há caminhos que mudam sem nos pedir licença, respostas que não chegam e histórias cujo desfecho não depende apenas de nós.
E talvez uma das aprendizagens mais difíceis seja precisamente esta: aceitar que não podemos controlar tudo sem sentir que estamos a desistir.
Deixar ir não é apagar o que sentimos, nem fingir que não doeu. É reconhecer a dor sem fazer dela a nossa morada. É perceber o que ainda está nas nossas mãos e permitir que o restante siga o seu curso.
Por vezes, isso exige recolhimento.
Tal como a natureza abranda, perde folhas e atravessa os seus períodos de silêncio, também nós precisamos de tempos em que não é necessário resolver, decidir ou compreender tudo. Apenas estar. Escutar. Sentir. Dar espaço ao que precisa de ser vivido.
Porque estar em paz não signif**a que deixou de doer.
Signif**a que, aos poucos, deixámos de lutar contra a existência da dor. Que conseguimos acolher o que sentimos e, ainda assim, continuar a escolher como queremos caminhar. Esta ideia aproxima-se do conceito psicológico de aceitação: não uma resignação passiva, mas a capacidade de abrir espaço à experiência difícil sem deixar que ela determine toda a nossa vida.
Há coisas que podemos transformar.
Outras teremos de aceitar.
E outras ainda teremos simplesmente de deixar partir.
Talvez amadurecer seja também aprender a distinguir umas das outras.
Fazer a nossa parte com verdade.
Deixar ir o que simplesmente não podemos segurar.
E confiar que, mesmo sem sabermos o que vem depois, podemos encontrar dentro de nós um lugar onde repousar. 🌿