04/06/2026
Há uma coisa que cada vez me parece mais clara.
No fim, quase tudo passa.
Passam os cargos.
Passam os projetos.
Passam as reuniões.
Passam os objetivos que um dia pareciam tão urgentes.
E a vida continua.
As pessoas seguem outros caminhos.
Mudam de lugar.
Mudam de equipa.
Mudam de fase.
Mas há coisas que f**am.
F**a a forma como alguém se sentiu ao nosso lado.
F**a a conversa certa no momento certo.
F**a a confiança que ajudámos alguém a recuperar.
F**a a coragem que demos sem perceber.
F**a também o contrário.
A dúvida que criámos.
O silêncio que provocámos.
O medo que alguém aprendeu a sentir perto de nós.
E talvez seja isto que mais me faz pensar quando falamos de liderança.
Nós achamos muitas vezes que estamos só a tomar decisões.
A gerir equipas.
A resolver problemas.
A cumprir objetivos.
Mas estamos sempre a deixar alguma coisa nas pessoas.
Sempre.
Na forma como ouvimos.
Na forma como respondemos.
Na forma como lidamos com o erro.
Na forma como tratamos quem está mais frágil.
Na forma como fazemos alguém sentir que tem valor.
No fim do dia, liderar nunca foi apenas estar à frente.
Foi estar presente de uma forma que f**a.
Porque um dia já não vamos estar naquele lugar.
Mas alguma coisa nossa vai continuar na história de alguém.
E talvez seja aí que se percebe a verdadeira dimensão da liderança.