16/08/2026
Olho para estas três imagens e vejo nelas três movimentos profundos do meu caminho. E hoje a vida convida-me a olhar novamente para isto e integrar melhor tudo isto no campo físico, num sentir profundo.
Estas 3 imagens são de 3 lugares internos que consigo reconhecer em mim.
1) SEGUREI a VIDA.
Segurei pessoas.
Segurei relações.
Segurei momentos.
Segurei estruturas.
Segurei aquilo que amava e também aquilo que receava perder.
Durante muito tempo, segurar foi uma forma de segurança.
Quando aprendemos que precisamos de estar atentas, antecipar, cuidar, resolver ou sustentar para que as coisas permaneçam bem, o corpo aprende a manter-se preparado.
E aquilo que, visto de fora, pode parecer controlo, muitas vezes começou simplesmente como uma estratégia de proteção.
Se eu estiver atenta, talvez nada se desmorone.
Se eu cuidar, talvez ninguém se vá embora.
Se eu compreender suficientemente o outro, talvez consigamos ficar bem.
Se eu fizer mais um pouco, talvez consiga sustentar tudo.
Foi forte quando precisou de ser forte.
Construiu. Protegeu. Cuidou. Sobreviveu. Amou.
Mas chega um momento em que tudo aquilo que nos protegeu começa também a pesar e a ser esforço.
E então surge o segundo movimento:
2) LIBERTAR
Libertar não é deixar de amar.
É deixar de apertar.
É compreender que posso amar profundamente alguém sem carregar o seu caminho.
Que posso desejar que alguma coisa permaneça sem precisar de a prender.
Que posso viver um momento maravilhoso sem exigir que ele dure para sempre.
Que posso deixar partir aquilo que já não encontra lugar em mim.
Libertar é devolver ao outro aquilo que lhe pertence e recuperar aquilo que é meu.
É permitir que cada adulto seja responsável pelo seu caminho, pelas suas escolhas, pelas suas feridas, pelo seu crescimento.
E, somaticamente, há qualquer coisa muito poderosa aqui:
*As mãos começam a abrir.
*O corpo já não precisa de estar permanentemente preparado para segurar tudo, estando em alerta.
*A respiração pode baixar.
*Os ombros e o ventre podem relaxar.
A vida deixa de precisar de ser agarrada para poder ser vivida.
E então encontro o terceiro movimento.
Talvez o mais desafiante para quem aprendeu durante tanto tempo a fazer, cuidar, antecipar e sustentar, estar em modo sobrevivência:
3) RENDER-ME.
Não me render no sentido de desistir de mim.
Precisamente o contrário.
Render-me porque confio cada vez mais em mim.
Render-me àquilo que não controlo.
À impermanência.
Ao desconhecido.
Aos ciclos.
Ao tempo das coisas.
Ao outro ser quem é, sem precisar de o transformar naquilo que eu gostaria que fosse.
Render-me é poder dizer:
Eu faço a minha parte. Escolho. Ajo. Coloco limites. Expresso o que sinto. Caminho na direção daquilo que desejo.
E depois abro as mãos.
Não preciso de controlar o resultado.
Numa leitura espiritual, talvez seja aqui que a entrega começa verdadeiramente.
Não como uma espera passiva de que “o Universo faça por mim”, mas como uma confiança profunda de que eu posso caminhar com a Vida sem precisar de comandar cada movimento dela.
E talvez seja também aqui que o feminino que tenho vindo a descobrir em mim ganha outro significado.
Não é fragilidade.
Não é passividade.
Não é esperar ser salva.
É receptividade.
É continuar inteira e, ainda assim, conseguir receber.
Receber amor sem o perseguir.
Receber ajuda sem me diminuir.
Receber prazer sem culpa.
Receber descanso sem precisar de chegar primeiro à exaustão.
Receber abundância sem sentir que tenho de sofrer para a merecer.
Receber presença sem precisar de ensinar constantemente alguém a permanecer.
E é aqui que Afrodite (hoje) surge no meu caminho - este arquétipo.
Não apenas como arquétipo da beleza, da sensualidade ou do amor.
Mas como memória do prazer de estar viva.
Do corpo que sente.
Da mulher que deseja.
Da mulher que escolhe.
Da mulher que já não precisa de conquistar tudo aquilo que também pode simplesmente receber.
Talvez o meu caminho esteja a passar exatamente por aqui:
de segurar a Vida - a libertar a Vida e, finalmente, abrir os braços para ela.
Porque um dia precisei de aprender a lutar pela Vida.
Depois precisei de aprender a escolhê-la:
Bem-vinda, Vida.
E agora há uma aprendizagem nova, talvez ainda mais profunda:
**Vida, já não preciso de te segurar. Eu confio em mim o suficiente para te deixar mover.
O que for para partir, liberto. O que for para chegar, encontro-me disponível para receber.
Já aprendi a lutar pela Vida.
Agora estou a aprender a deixar a Vida amar-me.** 🤍🌹
Diana 🪬✨🕊️